No hay banda: St. Vincent no Brasil
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No hay banda: St. Vincent no Brasil

Alexandre Ferraz Bazzan

06 de abril de 2019 | 04h04

No filme Cidade dos Sonhos (2001), de David Lynch, uma das cenas mais emblemáticas mostra um mestre de cerimônia em um teatro narrando cada instrumento, mas alertando: “Não tem banda. É tudo gravado. É uma fita”. Mesmo assim, é impossível não se emocionar quando a cantora Rebekah Del Rio começa a dublar a música Llorando. Até ela ficar paralisada e cair no palco e a voz continuar ecoando.

As apresentações em São Paulo de St. Vincent, projeto de Annie Clark, tiveram roteiro parecido. Enquanto uma base gravada tocava, a americana cantava e tocava guitarra por cima. O carisma e as boas músicas foram suficientes para manter o público animado, mas houve quem perguntasse: “Mas e a banda?”

Porque o brasileiro já está muito vacinado depois de tantos artistas estrangeiros tocarem no País com equipamento parcial, alguns já começaram a reclamar da produção, do Cine Joia, do Lollapalooza, da vida, dos céus, do azar. Acontece que a artista já usou a mesma estrutura em shows lá fora. Apenas ela, as guitarras e o som gravado, além de uma projeção – essa sim prejudicada no Cine Joia.

Foto: Camila Cara/Reprodução

Na Inglaterra, enquanto alguns elogiavam o conceito minimalista de St. Vincent, outros chamavam o show de karaokê enriquecido.

O playback geralmente era usado por artistas decadentes, cantores que não conseguem reproduzir ao vivo a gravação de estúdio ou programas de TV que não têm estrutura para receber uma banda.

A questão é: quanto de uma apresentação precisa ser produzida ao vivo? O hip-hop usa bases com rappers cantando por cima desde o começo dos anos 1980 e é atualmente o estilo com maior número de streamings no mundo. O próprio Lollapalooza, que tem Kendrick Lamar no domingo, é prova do protagonismo do gênero.

Saindo do hip-hop, o maior ato da indústria de shows no mundo (considerando apenas as cifras), lota estádios apenas com um microfone, um violão e um gravador de loops. As apresentações de Ed Sheeran têm gerado um debate acalorado. O músico inglês se defende dos críticos explicando que todos os loops de seus shows são gravados na hora. Ou seja, ele toca uma base que é gravada, depois grava outra, faz um backing vocal e depois toca por cima do que ele acabou de gravar.

Algumas bandas como Wilco, Kraftwerk e Radiohead também costumam usar programações ao vivo. É uma coisa muito comum desde a popularização do sintetizador.

O Echo and the Bunnymen usou uma bateria eletrônica até encontrar o baterista Pete de Freitas. Posteriormente foi criada a “lenda” de que Echo seria o apelido dado para a bateria, mas a banda nega e diz apenas que eles precisavam de um nome e entre tantas sugestões estúpidas de um amigo, eles simplesmente escolheram um. Deu certo.

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