Na cidade mais barulhenta do País, a música incomoda
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Na cidade mais barulhenta do País, a música incomoda

Qual o tipo de pessoa que prefere o som de uma britadeira a um solo de guitarra?

Alexandre Ferraz Bazzan

09 de novembro de 2015 | 00h47

Enquanto eu escrevo isso, uma esmerilhadeira e uma série de marteladas servem como trilha sonora. Já morei em dois lugares em São Paulo, me hospedei e dormi em tantos outros. Cada parte dessa metrópole tem sua peculiaridade, mas uma coisa todo lugar tem em comum: o barulho.

Ônibus, carro, cachorro, passarinhos estressados, mas o pior de todos são as construções. Morei ao lado de uma que me acordava todos os dias, exceto domingos, às 7h da manhã. Era um inferno porque eu estudava à noite, mas tentei me acostumar a dormir mais cedo. O grande problema é que um caminhão chegava 2h da manhã e também me acordava de madrugada. Foram dois anos de pouco sono até ter um “lindo” prédio de 350 mil andares do lado de casa. Nesse tempo, eu e meus vizinhos reclamamos muito do barulho causado pela obra, mas o “Psiu” nunca autuou a construtora, sequer uma advertência. Os ruídos insuportáveis correram soltos até o fim.

A lei N.o 12.879, do Psiu,  foi criada em 13 de julho de 1999 pelo prefeito Celso Pitta. De lá para cá tivemos prefeitos horríveis que fazem Fernando Haddad parecer um gênio (apesar de ele estar longe de ser um), mas nenhum foi tão ruim quanto Pitta. É só checar a taxa de rejeição de quando ele deixou o cargo. De lá para cá, a cidade continua barulhenta. Não há preocupação em licitar ônibus com menos ruído, por exemplo.

Seria maravilhoso se tivéssemos lugares como a Sala São Paulo ou o Municipal para receber todo o tipo de música, mas artistas alternativos e iniciantes encontram morada na Casa do Mancha, Rio Verde e Puxadinho da Praça (isso para ficar em alguns poucos valentes que tentam dar espaço para a música autoral). Bem, o Puxadinho foi lacrado no último fim de semana.

Eu não faço ideia de quem administra o lugar e para falar a verdade eu só estive lá uma vez para ver o show dos Primos Distantes, banda aqui de São Paulo. Não fui mais vezes porque trabalho até tarde e as apresentações acontecem cedo.

Foto: Reprodução

Foto: Reprodução

Esse é um de vários casos. O Milo Garage já ficou fechado um tempão e os amigos do Mandíbula foram muito prejudicados por fiscais que controlam o barulho. Não quero aqui fazer ilações, mas me parece que o rigor é maior com bares e casas de show do que, por exemplo, construtoras que são as empresas que mais poluem sonoramente São Paulo.

O Psiu, a meu ver, tem servido para encaretar a cidade e não diminuir o barulho. É absurdo pensar que uma britadeira incomode menos que um solo de guitarra, mas SP é desses lugares onde a chuva atrapalha obras contra a seca, onde se fecham escolas para melhorar o ensino(responsabilidades do Estado) e onde se atrasa uma licitação por dois anos para depois jogar nas costas da população a obrigação de não permitir ônibus superlotados e serviço de transporte ruim(responsabilidade da Prefeitura).

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