Morre aos 82 anos o cantor e compositor Leonard Cohen
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Morre aos 82 anos o cantor e compositor Leonard Cohen

Canadense deixa enorme legado para a poesia e a música

Alexandre Ferraz Bazzan

11 Novembro 2016 | 00h10

Valentin Flauraud/Reuters

Valentin Flauraud/Reuters

Morreu na noite desta quinta-feira, 10, Leonard Cohen. A notícia foi dada em sua página no Facebook, que pede privacidade para a família neste momento. “É com profunda tristeza que reportamos que o lendário poeta, compositor e artista, Leonard Cohen faleceu. Nós perdemos um dos mais reverenciados e prolíficos visionários da música”, diz o comunicado.

O compositor tinha acabado de lançar seu 14º disco, You Want It Darker, depois de ter excursionado por cinco anos. Não se sabe ainda a causa da morte, mas, em suas últimas aparições, o canadense discursava com a voz fraca e ofegante.

Nascido em uma família judia em Westmount, Quebec, criado em uma Montreal com com influências católicas e ordenado monge budista já maduro, ele dizia não ser muito religioso no fim da vida. Mais do que isso, falava estar pronto para a morte.

Legado. O poeta, que influenciou até Bob Dylan, era nome frequente nos bolões para o Nobel de Literatura e houve quem questionasse a escolha do americano, em vez dele. Além da prolífica carreira na música, ele deixa dois romances publicados, A Brincadeira Favorita e Beautiful Losers (ainda sem tradução para o português), e diversos livros de poesia.

A música soturna do canadense flertava frequentemente com a morte e a religiosidade, mas recentemente o fim esteve mais próximo que nunca. Quando soube que sua musa Marianne Ihlen, que inspirou o clássico So Long, Marianne, estava com a saúde debilitada, o compositor escreveu uma carta de despedida.

“Você sabe que eu sempre te amei por sua beleza e sabedoria, mas eu não preciso te dizer isso mais.  Agora, eu só quero te desejar uma boa viagem. Adeus, minha velha amiga. Te vejo no fima da estrada”, dizia a carta. Ela morreu poucos dias depois e é como se Cohen estivesse preparando a própria viagem. “Estou pronto”, afirmou ele em algumas das últimas entrevistas para divulgar o trabalho mais recente.

O hiato. Leonard Cohen foi um artista prolífico até o começo dos anos 1990, mas se afastou da música e se fechou em um monastério budista perto de Los Angeles, até se tornar um monge zen. Mesmo não tendo tido grande sucesso na venda de discos, ele construiu uma carreira respeitável e que rendeu alguns milhões de dólares. Ele se viu obrigado a voltar à estrada depois que sua antiga empresária,Kelley Lynch, roubou boa parte das economias guardadas ao longo da vida.

Para a sorte dos fãs, seu retorno ainda rendeu cinco grandes discos e uma extensa turnê mundial retratada no disco Can’t Forget: A Souvenir of the Grand Tour.

You Want It Darker é um disco caseiro, feito na casa de Cohen e produzido pelo seu filho. A fragilidade dos mais de 80 anos não permitia que ele se desse ao luxo de um processo de gravação complexo, apesar de a inspiração continuar jorrando até o fim da vida. No documentário I’m Your Man, ele descreve a composição como um trabalho qualquer. Cohen tinha uma rotina em que acordava, se vestia e começava a vasculhar as ideias como um operário que pica o cartão diariamente. Por esse motivo, é bem provável que exista um vasto material em seus arquivos.

Em um momento triste como esse, é paradoxalmente duro não ter o maior poeta que a tristeza já teve.