King Tuff traz um pouco da história do rock para SP
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King Tuff traz um pouco da história do rock para SP

O americano faz shows em Goiânia e na capital paulista em sua primeira passagem pelo Brasil

Alexandre Ferraz Bazzan

14 de maio de 2015 | 14h31

Quando o King Tuff lançou seu disco homônimo, o segundo da carreira e primeiro pela SubPop, um texto no site da gravadora explicava um pouco sobre o artista e dizia que, entre outras coisas, ele fazia alguns dos equipamentos. “O som ficou uma porcaria”, brincava no texto Kyle Thomas, a pessoa por trás do alterego ‘real’.

King Tuff Band Photo

Foto: Dan Monick/Reprodução

“Na verdade eu modificava alguns dos equipamentos, mas não faço mais isso”, esclarece Kyle por telefone ao Estado. Aliás, é difícil decifrar o King Tuff e não só por esse não ser o nome dele. Em todos os textos de divulgação existem muitas brincadeiras. O produtor do segundo álbum, Bobby Harlow, fala sobre o trabalho de Kyle: “ele não deve ser inspecionado ou escutado com ouvidos críticos. Corte sua orelha fora (em inglês ‘ear’ serve tanto para ouvido como orelha)…Se você não consegue captar a genialidade deste disco épico, então você já está morto. Se mate. Ou arrume um emprego, a escolha é sua.” Posteriormente a gravadora pede que ninguém se mate ou corte as orelhas no fim do comunicado. Eles não falam nada sobre arrumar emprego.

Para o novo trabalho, o terceiro da carreira, a criatividade segue na divulgação e na música. O release fala que a gravação aconteceu por acaso, obra de Deus ou do Diabo – “Os dois têm interesses similares. Os dois adoram guitarras e querem pirar ouvindo Black Moon Spell(nome do disco de 2014).” No meio de toda a bagunça do texto, ele fala sobre a participação de Ty Segall e essa parte é verdade. “Nós dois moramos na mesma região, somos bons amigos e ele apareceu um dia e tocou bateria nessa canção, mas somente nessa(a faixa título)”, confirma Kyle.

Existe uma onda retrô interessante rondando o mundo da música. Enquanto Tame Impala, da Austrália, investe em psicodelia, Ty Segall centra seu som em um rock pesado setentista. King Tuff faz uma mistura, no bom sentido, difícil de rotular. O álbum de estreia, Was Dead, tem muito de lo-fi, folk e algo Dylanesco em Kind of Guy e Freak When I’m Dead, as melhores da estreia do cantor. Ele explica que Bob Dylan é um de seus favoritos, mas que cresceu ouvindo punk rock.

As influências aparecem de alguma forma na música. Desde o punk pop chiclete do Descendents, banda que abriu o caminho para o rock adolescente de Green Day e Blink 182, até Sex Pistols, passando por Dinosaur Jr. Coincidência ou não, Kyle Thomas conseguiu se cercar de alguns desses pilares da música alternativa. Ele abriu um show para os Descendents em Boston, nos EUA. Steve Jones, dos Pistols, fez uma participação engraçadinha no clipe de Headbanger e o King Tuff vai participar do festival Bananada em Goiânia com J Mascis do Dinosaur Jr.

O pastiche de referências também aparece no visual. Boné, camisa ou camiseta, bota ou tênis, tatuagens, anéis, colares, óculos escuros, cabelos longos e barba. Por trás de todas essas referências, ou por causa delas, está um dos artistas mais divertidos do rock atual. Quem for ao show dele nesta quinta- na versão miniaturizada  do festival Bananada- sairá com um sorriso no rosto. O duro vai ser tirar os riffs da cabeça. Prepare-se para cantarolar o mesmo som por uma semana.

SERVIÇO:
Data: 14 de maio (quinta feira)
Horário: às 22hs
Local: No Beco 203- Rua Augusta, 609 – Consolação – São Paulo – SP
Ingressos (primeiro lote): R$ 50,00

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