James Murphy, eu te amo
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James Murphy, eu te amo

LCD Soundsystem lança duas músicas novas e anuncia disco (provavelmente) para este ano

Alexandre Ferraz Bazzan

05 Maio 2017 | 14h26

Na entrevista acima, James Murphy, a mente por trás do LCD Soundsystem, discute o começo de sua vida antes de ser um produtor de sucesso e criar sua própria banda. Ele sempre foi um garoto precoce e supostamente inteligente, mas que nunca atingiu seu potencial. Era como se qualquer coisa que ele fizesse pudesse derrubar a máscara de pessoa criativa. O medo do fracasso o deixou uma pessoa hesitante.

Quando ele tinha 26 anos, David Foster Wallace publicou Infinite Jest (livro traduzido com o título Graça Infinita no Brasil) e ele percebeu que já não era mais o mais jovem e precoce da roda de amigos. Depois de fazer terapia, ele passou a se engajar culturalmente, criou um selo e passou a discotecar em festas. Quando um garoto começou a tocar as músicas que ele pensava que só ele conhecia, ele compôs Losing My Edge. Foi aí que tudo começou. Todos acharam que a música não era boa o suficiente, mas essa foi a pedra fundamental do LCD Soundsystem.

O fim e o retorno. Em 2012, Murphy decretou o fim da banda com um documentário, Shut Up and Play the Hits, e um show de despedida no Madison Square Garden. O filme mostra um pouco da vida dele na época. Ressaca, passear com o cachorro, fazer música, dar entrevistas, tocar ao vivo.

Parecia algo precipitado a se fazer já que a banda continuava fazendo apresentações legais, havia acabado de lançar um bom disco, This is happening, e alguns novos clássicos na bagagem. O tempo(e nem foi tanto assim) mostrou que, de fato, ele tinha mais lenha para queimar. Em dezembro de 2015, ele lançou a melancólica Christmas will break your heart e em 2016 encabeçou alguns dos maiores festivais do mundo.

À meia-noite desta sexta, o LCD Soundsystem mostrou duas novas canções. Não sei como, mas ele diz que à meia-noite de todos os lugares, começando pela Austrália. Call the Police é um hino daqueles de dançar berrando junto com a música, assim como All My Friends, de 2007. Junto com ela veio American Dream, que segue a pegada melancólica de New York I Love You, But You’re Briging Me Down e Never as tired as when I’m waking up. Sobre o lançamento do disco, ele explica que está correndo para ficar pronto o mais rápido possível, mas, por causa da decisão de lançar uma versão em vinil (“porque eu sou uma pessoa velha”, diz ele), o processo pode demorar um pouco ainda.

Com todas as realizações de James Murphy, um sonho ainda está incompleto: que um disco consiga chegar ao primeiro lugar da Billboard. Se ele não tiver grandes concorrentes na época do lançamento, é possível que ele tenha sucesso nessa missão. Até lá, ele só quer poder planejar um fim de semana de curtição ou responder outra coisa que não seja “estou totalmente ocupado com o LP, me ligue daqui um mês” quando um amigo o convidar para comer.

Ouça abaixo Call The Police e American Dream: