Grammy, você não vale nada (mas eu gosto de você)
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Grammy, você não vale nada (mas eu gosto de você)

Alexandre Ferraz Bazzan

16 Dezembro 2014 | 17h15

Não é exclusividade do Grammy ser uma premiação que comete enormes injustiças: o Oscar mesmo só foi reconhecer Alfred Hitchcock pelo conjunto da obra. O diretor inglês, que é um dos pilares do cinema falado, jamais recebeu uma estatueta por seus filmes. A diferença é que o Grammy às vezes parece não gostar de música.

Um negócio é dar o prêmio de revelação para Esperanza Spalding em 2011, 10 anos depois de seu início de carreira, outro é premiar uma versão acústica de Layla em 1992 no lugar de Smells Like Teen Spirit. Mas não é só isso. O Nirvana foi vencer seu primeiro Grammy em 1996. A banda não existia mais e Kurt Cobain tinha enfiado uma bala na cabeça dois anos antes. Ah, o disco premiado foi o Unplugged in New York. Os tiozinhos do Grammy parece que gostam de um violãozinho.

kurt cobain

Mas as bobagens desta premiação não param por aí. Eles escolheram o Will Smith como Melhor Performance de Rap em um ano em que o Public Enemy concorria, Jethro Tull superou Metallica em 1988 na categoria Metal e um rapaz chamado Christopher Cross deixou para trás basicamente Pink Floyd, Frank Sinatra, Billy Joel e Barbra Streisand. O leitor mais erudito pode me responder nos comentários quem é Christopher Cross.

Acha pouco? Em 1967, seis artistas concorriam entre a melhor faixa de rock n’ roll: Beatles – Eleanor Rigby, Beach Boys – Good Vibrations, The Monkees – Last Train to Clarksville, The Association – Cherish, The Mamas and The Papas – Monday Monday e  The New Vaudeville Band – Winchester Cathedral. Não seria fácil escolher o vencedor, mas é evidente que o perdedor seria Winchester Cathedral. Foi essa a faixa vencedora.

Eles ainda celebraram a música de Milli Vanilli, que tiveram que devolver o gramofone posteriormente. Chega.

Em 1996, depois de gravar dois discos fantásticos (Ten e Vs.), o Pearl Jam foi agraciado na categoria melhor performance de hard rock pela mediana Spin the Black Circle. Um mal humorado Eddie Vedder “agradeceu” dizendo que o prêmio não significava nada.

De fato não significa nada, mas é sempre legal ver artistas que você gosta reunidos.