Glastonbury: O maior festival do mundo e como Gilberto Gil ajudou a criá-lo
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Glastonbury: O maior festival do mundo e como Gilberto Gil ajudou a criá-lo

O cantor brasileiro levou várias ideias sobre diversidade para a fazenda Worthy, onde as pessoa se reúnem até hoje anualmente para ouvir muita música

Alexandre Ferraz Bazzan

25 de junho de 2017 | 01h16

Caetano e Gil já tinham criado a Tropicália e eram artistas respeitados em todo o Brasil quando tiveram que pedir exílio à Inglaterra. Depois de prender os compositores por dois meses, o regime ditatorial da época, chefiado pelo general Médici, permitiu que eles fizessem um show para juntar dinheiro e comprar uma passagem para Londres.

Gil e Caetano na Trafalgar Square, em Londres

Enquanto na terra natal os baianos eram super populares, na Grã-Bretanha eles chegaram em total anonimato, mas não demorou para Gil fazer amizades. Já Caetano, em seu primeiro ano longe de casa, sentiu saudades e embarcou na depressão que virou o disco London, London.

Fascinado pelo momento musical local, Gil ficou amigo de Terry Reid, que recusou o posto de vocalista do Led Zeppelin e indicou Robert Plant em seu lugar, ouviu reggae pela primeira vez e se uniu a um grupo boêmio que queria criar um festival gratuito. Bill Harkin ficou encarregado de fazer o design do palco principal e pensou em uma pirâmide, mas, em uma das reuniões, Gil levou Caetano, que sugeriu usar o formato de uma oca indígena gigante. A referência foi recebida com certo entusiasmo, mas no final decidiram pela ideia original. O Pyramid Stage é até hoje o palco principal, apesar de ter mudado o desenho ao longo dos anos. O evento não é mais gratuito, mas diversidade cultural e liberdade inspiradas pelo carnaval brasileiro permanecem.

Glastonbury 2017. O festival é mais do que uma seleção de atrações musicais. Uma vez que você passa para o lado de dentro, não há mais cercas. Você pode circular por toda a fazenda Worthy e as atrações não param- djs, revelações do mercado fonográfico e até artistas consagrados, que diminuem o cachê para tocar por lá, se revezam para manter a animação por 24 horas. Um grande número de pessoas chega na quarta-feira, mas as principais atrações só começam na sexta e tem muita gente que nem assiste, comparece apenas para fugir da cidade grande, para ficar perto da natureza ou usar psicotrópicos.

Neste ano, o Radiohead foi o headliner, pela terceira vez, da sexta-feira. A banda inglesa liberou na quinta a versão remasterizada de OK Computer com lados B e três músicas nunca gravadas(I Promise, Lift e Man of War). O relançamento batizado de OKNOTOK contaminou, para alegria dos presentes, o show deles na fazenda Worthy com sete canções. Curiosamente, as “inéditas”(eles já tinham tocado elas ao vivo, mas nunca gravado) ficaram de fora.

Sempre foi legal criticar o Radiohead e desta vez não foi diferente. No sábado pela manhã já circulava pelas redes uma brincadeira dizendo que a plateia passou vergonha ao aplaudir a banda afinando os instrumentos por 3 minutos. Ninguém é obrigado a gostar do som deles, mas criticar a música sem argumentos a essa altura da carreira deles seria o mesmo que dizer que Mozart ou Beatles não prestam. São clássicos, cada um à sua maneira.

A verdade é que a banda conseguiu percorrer toda a carreira com momentos dançantes, intimistas e sem esconder os clássicos. Fake Plastic Trees e Creep, que nem sempre aparecem nas apresentações, vieram no bis. O show foi encerrado com Karma Police e o público continuou cantando a música por alguns minutos depois que os caras deixaram o palco. Se isso não te tocar de alguma forma é melhor marcar um check-up médico com urgência.

Antes tarde do que nunca. Neste sábado o Foo Fighters subiu ao Pyramid Stage com dois anos de atraso. Eles foram convidados a tocar em 2015, mas Dave Grohl quebrou a perna em uma apresentação na Suécia e teve que cancelar o show. Na ocasião, Florence and the Machine foi chamada para substituir os americanos e tocou Times Like These em homenagem.

Grohl se desculpou pelo atraso brincando: “O trânsito estava um saco”. Agradeceu Florence e disse que tocaria Times Like These para ela, pois se emocionou com o cover da cantora.

Ed Sheeran, que passou recentemente por São Paulo, fecha o domingo já em clima de fim de festa. Como o local é afastado de Londres, pouco mais de 200 km, muitos já deixam o festival mais cedo.

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