‘Faça você mesma’ conta a história do punk feminista brasileiro
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‘Faça você mesma’ conta a história do punk feminista brasileiro

Documentário relembra trajetória de bandas como Lava, The Biggs, Dominatrix e Hitch Lizard e aponta para o momento atual da cena Riot Grrrl

Alexandre Ferraz Bazzan

29 de agosto de 2017 | 17h02

Gigi Louise, da banda Hitch Lizard, em entrevista na sua casa, em março de 2017 – Foto: Divulgação

O filme de Leticia Marques toma para si no título a máxima do punk, criada no final da década 1970, para contar a história das mulheres que assumiram o protagonismo no rock na segunda metade dos anos 1990 e começo dos 2000. O documentário lembra da cena do Riot Grrrl brasileiro, inspirado pelo movimento estadunidense, mas também aponta para o futuro, para bandas e artistas que ainda tocam atualmente. Com a produção adiantada, “Faça Você Mesma” abre agora financiamento coletivo pelo Catarse para finalizar as últimas entrevistas em outros Estados.

O projeto começou de forma nostálgica depois que Leticia leu o livro Riot Grrrl Revolution Style Now, da escritora inglesa Nadine Monem. Ela escreveu um esboço em 2013, mas acabou engavetando o projeto por algum tempo. Em 2015, ela assistiu ao retorno do Sleater-Kinney, uma das principais bandas do Riot Grrrl americano, e no ano seguinte leu o livro de memórias da vocalista Carrie Brownstein: Hunger Makes Me a Modern Girl. Desta vez, ela contou com o empurrão da amiga, e produtora do filme, Patricia Saltara que sentiu falta de representatividade feminina nas produções mais recentes sobre o rock nacional, como Time Will Burn.

“‘Cadê a Leticia para fazer esse filme?, ela me disse’. Foi então que eu retomei o projeto e comecei a recuperar material de arquivo, outras pessoas começaram a doar materiais”, conta a diretora. Com o embrião pronto, ela foi até Nova York fazer uma residência de quatro semanas no Union Docs, um centro de documentários.

Cartaz de show das bandas Lava e Dominatrix – Arquivo Silvana Mello

No filme, Leticia se preocupa em contar o começo do movimento, mas também bandas mais novas que mantêm a cena viva. “Acho importante focar no momento de quando isso nasceu, porque no começo tinham poucas meninas à frente. Quero mostrar como foi essa ponte com relatos das que estiveram antes e depois dessa transição”. Enquanto a Dominatrix é uma das bandas que ajudaram a abrir o caminho em 1995, Berta Lutz é uma das que mantém o Riot Grrrl acontecendo.

O documentário está previsto para 2019 e deve percorrer os festivais nacionais e internacionais antes de chegar aos cinemas e demais canais de distribuição como streaming. As contribuições no Catarse podem ser feitas até o dia 4 de setembro. Veja as recompensas e participe.

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