Discos para ouvir na quarentena 5: ‘Third/Sister Lovers’ – Big Star
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Discos para ouvir na quarentena 5: ‘Third/Sister Lovers’ – Big Star

Alexandre Ferraz Bazzan

21 de março de 2020 | 00h29

É sexta-feira, mas esse deve ser o primeiro de alguns fins de semana melancólicos e, para acompanhar esse sentimento, falo do terceiro disco do Big Star. Se é que esse pode ser considerado um disco do Big Star.

A banda começou como um grupo de amigos que aprendeu a tocar guitarra depois de ver os Beatles no programa do Ed Sullivan. Quando o ídolo adolescente Alex Chilton, que teve alguns hits com The Box Tops mesmo antes de completar 18 anos, entrou para a banda, o negócio ficou sério.

A pretensão deles era tamanha que o primeiro álbum chama #1 Record e os créditos das músicas eram assinados Bell/Chilton, uma alusão a Lennon/McCartney. A incompetência para divulgar e distribuir o trabalho fez de #1 Record um fracasso e com isso Chris Bell, que era o dono da banda no começo, se foi. Alex Chilton ainda segurou os outros amigos em um segundo esforço chamado Radio City. Os críticos amaram, mas a distribuição mais uma vez foi falha. Ninguém achava o disco nas lojas.

A banda se desintegrou. Chilton ainda gravou algumas músicas com a ajuda do baterista Jody Stephens. O resultado é um Big Star com o coração despedaçado por conta dos fiascos e de uma separação dolorosa de Chilton com a namorada. A gravação aconteceu em 1975, mas o álbum só viu a luz do dia três anos depois por completo desinteresse dos dois integrantes que remanesceram. No mesmo ano, Chris Bell morreu em um acidente de carro e a banda só voltaria a gerar interesse nos anos 1990 em uma nova formação com Chilton, Stephens e membros do Posies. Uma pena.

A sequência Thank You Friends, Big Black Car, Jesus Christ, Femme Fatale, O’ Dana e Holocaust é como se o seu coração fosse atropelado 17 vezes por uma retroescavadeira, mas que deixasse uma coisa boa naquilo que sobrou dele.

#1 Record e Radio City são discos de amor, mas Third é de desilusão. Uma desilusão boa, se é que isso é possível. É como se você estivesse na pior, mas sabendo que em algum lugar alguém tá sentindo a mesma coisa e sorrindo de volta para você. É o meu preferido deles.

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