Discos para ouvir na quarentena 15: ‘Acabou Chorare’ – Novos Baianos
As informações e opiniões formadas neste blog são de responsabilidade única do autor.

Discos para ouvir na quarentena 15: ‘Acabou Chorare’ – Novos Baianos

Nome do disco perde o seu sentido hoje, mas vale para afastar os móveis e dançar sozinho durante o isolamento

Alexandre Ferraz Bazzan

13 de abril de 2020 | 22h22

Nessas indicações eu tenho procurado resgatar alguns bons discos, muitos clássicos, mas procuro evitar sempre que posso os lugares comuns, aqueles que estão na cabeça de todos. Você não vai ver por aqui Sgt. Peppers ou Nevermind porque todo mundo já ouviu esses 1 bilhão de vezes. Hoje não vou conseguir fazer isso. A morte de Moraes Moreira me obriga a lembrar de um dos mais importantes discos da música brasileira e um dos melhores do mundo (como o título dele fica sem sentido hoje): Acabou Chorare.

O colega Julio Maria explica que Moraes Moreira é maior que Acabou Chorare e que, provavelmente, não existiria nem Novos Baianos sem ele, mas essa é definitivamente a maior obra dele.

Depois de fazer um disco de rock (É Ferro na Boneca), um rock estilão Jovem Guarda, os Novos Baianos misturaram o que eles já sabiam com música tradicional brasileira (que eles mudariam para sempre). O novo rumo viria depois de uma visita de João Gilberto à casa que os integrantes da banda dividiam no Rio. O pai da bossa nova teria sugerido que eles olhassem para dentro e o resultado é uma coleção de clássicos da música brasileira.

Preta Pretinha vai ser o hino de todo brasileiro quando tudo isso acabar, pode apostar. Swing de Campo Grande chega a aborrecer de tanto que toca na época de carnaval. A Menina Dança e Brasil Pandeiro é Baby do Brasil na sua melhor forma.

A faixa título é uma clara homenagem a João Gilberto. O nome Acabou Chorare teria sido dito por Bebel Gilberto, ainda criança, para tranquilizar o pai João depois de se machucar. Gilberto correu assustado para acudir a menina e ela respondeu: “Não machucou papai, acabou chorare”. A confusão se explica pelo fato de o compositor na época morar no México. A música toda aponta para Gilberto, desde as letras, uma conversa de Luiz Galvão com ele sobre umas abelhinhas, até o ritmo próximo à bossa nova.

Apenas escutem, não sejam bestas.

Comentários

Os comentários são exclusivos para assinantes do Estadão.

Tendências: