Discos para ouvir na quarentena 13: ‘Pink Moon’ – Nick Drake
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Discos para ouvir na quarentena 13: ‘Pink Moon’ – Nick Drake

Alexandre Ferraz Bazzan

08 de abril de 2020 | 00h15

Toda vez que falam de Nick Drake, as pessoas fazem duas ligações que não me deixam muito satisfeito. A primeira é a relação da saúde mental dele com sua composição e obviamente que tudo o que produzimos leva muito de nós e se uma pessoa tem depressão, essa experiência transparece um pouco no resultado. O “dono” do Wilco, Jeff Teedy, tem uma frase que eu gosto muito: nós conseguimos fazer as coisas apesar da depressão e não por causa dela. Não vamos romantizar os transtornos.

A segunda relação é a dos fracassos comerciais de seus discos com a depressão. É possível que nossas falhas ajudem a nos deixar mais vulneráveis, mas um transtorno mental envolve muito mais que isso.

Pink Moon é o terceiro e último disco do Nick Drake. Se nessa altura a saúde mental dele estava deteriorada, ele também já sabia melhor o que queria. Ele gravou o álbum em duas noites sozinho com o engenheiro de som John Wood. Apenas voz e violão e um trecho de piano na faixa título que ele mesmo tocou.

Insatisfeito com o som muito elaborado em Bryter Layter, seu segundo álbum, ele fez questão de um registro cru e sem grandes produções. Drake disse a Wood que desejava músicas “nuas”, sem enfeites.

Uma das histórias mais legais por trás de Pink Moon é a forma como Drake teria entregado as fitas master para a gravadora. A lenda é que ele teria deixado na recepção da empresa e uma secretária só teria percebido dias depois que se tratava do novo disco dele. O então assessor de imprensa da Island Records lembra a história de forma diferente. Ele disse que viu Nick na recepção e o convidou para um chá. Meia hora depois ele teria ido embora e aí teria deixado a fita na recepção, mas a secretária avisou sobre isso na hora.

Se Drake via em Pink Moon o fim da linha, a própria Island Records acreditava no trabalho. A gravadora fez anúncios de página inteira nas principais revistas especializadas da época.

Anúncio veiculado nas revistas

Pink Moon e Place to Be são duas das melhores composições do cantor e o seu violão é irrepreensível por todo o disco. As letras carregam a melancolia que é marca registrada dele, mas são mais simples e as canções mais curtas. O disco inteiro tem pouco mais de 28 minutos. O engenheiro de som John Wood chegou a dizer que algo tão tristemente arrasador não poderia ser mais longo. As pessoas não suportariam.

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