Discos para ouvir na quarentena 11: ‘Exile in Guyville’ – Liz Phair
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Discos para ouvir na quarentena 11: ‘Exile in Guyville’ – Liz Phair

Alexandre Ferraz Bazzan

02 de abril de 2020 | 23h51

Como o nome já sugere, o disco da Liz Phair é uma resposta ao clássico dos Rolling Stones. A cantora teria inclusive arranjado a ordem das músicas para que isso ficasse mais evidente, mas a história toda de como ele foi concebido tem pouco a ver com Exile on Main St..

A cantora fez várias demos e distribuiu fitinhas com a alcunha “Girly-Sound” em Chicago. O nome do disco “exilada na cidade dos caras” está relacionado diretamente ao sentimento que a compositora tinha em relação a uma cena que era dominada por homens e que, mesmo progressista, colocava as mulheres sempre em uma posição secundária. Mas o disco também era a vontade de ser reconhecida por essa mesma cena.

Entretanto, Phair não estava disposta a fazer concessões para entrar na turminha. Pelo menos não inicialmente. Essa vontade de lançar exatamente o que queria fez a compositora perder o primeiro produtor e, por consequência, o teto. Ela morava no apartamento de John Henderson.

Sem gravadora, ela assinou com a Matador e o único veto do selo independente foi da capa sugerida por Phair, uma espécie de suruba de bonecas Barbie. No lugar disso, veio uma foto da cantora de topless feita em um ensaio com Nash Kato, do Urge Overkill.

Exile in Guyville é o clássico de Liz Phair, que depois se aventurou em um pop-rock para agradar o público e deu muito errado. Até hoje o disco mantém o pão na mesa dela. Ele teve relançamento em 2018 com todas as demos do Girly-Sound e virou até um documentário. É o Never Mind the Bollocks dela.

Ano passado ela escreveu um livro de memórias: Horror Stories.

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