Crise dos 25 anos
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Crise dos 25 anos

Sobre o Elvis Depressedly e abraços que não podem ser dados

Alexandre Ferraz Bazzan

03 Setembro 2015 | 03h29

Uma namorada compartilhou há bastante tempo um texto em inglês que falava sobre a *”Quarter life crisis”, algo como a crise do primeiro quarto de vida. O que parecia uma bobeira na época, se mostra hoje muito maior do que a simples pressão de pagar o aluguel no fim do mês.

Eu não conheço uma pessoa sequer que esteja contente no trabalho e de alguma forma esse acaba sendo o aspecto mais importante das nossas vidas. É ali que conhecemos alguns dos nossos melhores amigos(alguns até arrumam namorados) e garantimos o leitinho das crianças, mesmo que não tenhamos filhos ou que eles sejam intolerantes a lactose.

Nessa entrevista, o Mat Cothran, da banda Elvis Depressedly, responde uma pergunta importante: “Quão quebrado você está agora?” – “Um pouco quebrado, mas estou feliz.” Isso deveria importar muito, mas constantemente estamos correndo atrás de algo que talvez pudesse esperar.

O Elvis Depressedly é uma banda americana com um casal do tipo Kim Gordon e Thurston Moore, mas menos cool e mais fofinho. Em maio, eles lançaram um disco, New Alhambra, que vai na direção das gravações anteriores, mas com mais produção. Ainda há a força do som acústico e som manipulado, mas o lo-fi tosco(no bom sentido) tem um tratamento mais delicado. O que se aproximava de Daniel Johnston, foi mais para o lado do Bright Eyes.

Foto: Reprodução - Mat Cothran e Delaney Mills do Elvis Depressedly

Foto: Reprodução – Mat Cothran e Delaney Mills do Elvis Depressedly

É nesse trabalho, escondidinho lá no final do álbum, que aparece a música mais bonita de 2015 até agora. Dois trechos se destacam:

1-“Se a gente fizer besteira, tudo bem, tem mais coisas na vida do que essas perdas de tempo.”

2-“É um mundo triste esse em que fomos criados. Você pode odiar, mas de que vai adiantar?”

Existem momentos em que coisas como perder um emprego ou brigar com um namorado parecem algo intransponível e talvez, naquele momento, realmente seja. É a crise dos 25 anos, de achar que temos que trabalhar para não entrar em estatísticas ou sermos apontados como desempregados. É uma época em que responsabilidades são jogadas aleatoriamente e não tem faculdade que te prepare para isso.

Aí chegam momentos em que não podemos fazer nada para ajudar as pessoas que estão passando por esses perrengues e essa impotência é quase tão dolorida quanto a situação dessa pessoa. Às vezes, não poder dar um abraço por questões geográficas ou por outros motivos de força maior é muito pior e todo o resto parece uma perda de tempo, como diz a música.

*O ensaio que minha namorada mandou contava com uma boa ajuda da ciência para fazer todos vivermos até os 100 anos ou com um grande desconhecimento de frações. Espero que a primeira opção seja o caso, porque eu vou viver para sempre ou morrer tentando.

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