Clap Your Hands Say Yeah comemora os 10 anos do primeiro disco em SP
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Clap Your Hands Say Yeah comemora os 10 anos do primeiro disco em SP

Banda da Filadélfia, EUA, toca na íntegra álbum de estreia em sua segunda visita ao Brasil

Alexandre Ferraz Bazzan

29 de agosto de 2015 | 15h01

Duas coisas eram obrigatórias nas baladinhas de rock em 2005: um par de allstar e músicas do Clap Your Hands Say Yeah. Tudo começou com uma boa resenha do primeiro disco no Pitchfork, logo todos estavam comentando sobre a banda. Boatos davam conta de que entre os admiradores estavam David Bowie e David Byrne do Talking Heads.

Foto: Reprodução - Alec Ounsworth do Clap Your Hands Say Yeah

Foto: Reprodução – Alec Ounsworth do Clap Your Hands Say Yeah

Ano passado, quando eles tocaram pela primeira vez no Brasil para divulgar o quarto disco Only Run, que tinha a participação de Matt Berninger do The National, eu conversei com o vocalista Alec Ounsworth. A entrevista nunca foi publicada, mas acho que ainda vale a leitura.

Alec Ounsworth falou com o Estado por telefone e se lembra de por duas vezes tentar vir ao Brasil, sem sucesso. Agora, 10 anos depois do hype inicial e sem quatro integrantes da formação original, ele se apresentará novamente no País, no Cine Joia, centro de São Paulo.

O álbum de estreia foi lançado justamente quando a música já começava a ser consumida digitalmente, talvez seja até um marco dessa virada. A promessa da força criativa teve que dar lugar ao ganha pão. “Você fica ocupado em um disco agora muito mais tempo do que antigamente. Isso provavelmente está relacionado com o fato de as pessoas não comprarem discos como elas costumavam, então você gasta muito mais tempo na estrada e acaba não tendo muito tempo para gravar um novo disco”, explica Alec que é, desde o começo, o responsável pelas composições.

Um visitante desejado. Depois do segundo trabalho, Some Loud Thunder, os seguidores foram diminuindo aos poucos, o rock perdeu força, principalmente o rock de pista que ele ajudou a pavimentar. O artista, então, pensou em uma forma intimista e sem necessidade de grandes produções para levar sua música para aqueles que ainda a amavam. Ele criou uma estrutura parecida com a do Sofar Sounds. Uma pequena turnê é programada e as cidades são escolhidas, então ele abre espaço para que pessoas interessadas em receber seu show em suas salas, garagens, escritórios ou qualquer lugar que suporte a pequena estrutura se cadastrem. Esse tipo de apresentação para poucos, com frequência, alterna aparições em festivais e públicos maiores.

Apresentação intimista na casa de alguém em Portland, EUA – cantando a bela Underwater You and Me

“Eu gostaria de ter feito isso (tocar em lugares pequenos) no começo depois que as coisas ficaram um pouco fora de proporção. Eu gosto de me conectar e isso é uma boa maneira de conhecer pessoas que escutam e acreditam naquilo que estou fazendo”, diz Alec. Talvez, o fato de ter uma carreira entre o desconhecido e o super famoso seja a única forma de ter esse privilégio de ir onde quiser.

Sobre se manter independente. Ele celebra a possibilidade dos shows nas salas de estar: “Isso faz com que eu mantenha os pés no chão, me lembra um pouco do porquê eu comecei na música.” O fato de não ser uma banda comercial enorme também proporciona uma independência, algo quase impossível para quem tem a pressão de sempre ter um trabalho de sucesso. “Eu não tenho que fazer sempre o mesmo disco. Algumas pessoas acreditam que se um disco está se tornando popular… elas tendem a fazer sempre a mesma coisa. Elas são encorajadas pelas pessoas a fazer isso. Eu, particularmente, não gosto disso”, explica.

Ounsworth diz que não tem interesse algum em alimentar qualquer tipo de saudosismo. “Eu acho que se você é criativo, deve se arriscar, algumas pessoas vão gostar do que você está fazendo, outras vão querer mais do mesmo. No meu caso, essas pessoas terão que ouvir o material antigo. Eu prefiro seguir adiante.”

Cruzando caminhos. No último disco, que ainda contava com o baterista Sean Greenhalgh, Matt Berninger do The National divide os vocais em Coming Down. “Nós fizemos uma turnê com eles há bastante tempo, mas estamos sempre nos encontrando em festivais, ou quando eles tocam na Filadélfia. É um amigo antigo que coincidentemente é um cantor. Acho que Sean sugeriu que o chamássemos para participar, isso me pareceu uma boa ideia.”

Entretanto, como a música já estava pronta e gravada, Ounsworth teve que buscar inspiração nas suas mais antigas influências. “Acho que em Lady Godiva’s Operation do Velvet Underground e em Songs for Drella Lou Reed e John Calle têm uma interação vocal interessante e não usual. Depois de pensar um pouco onde colocar Matt, achei que nessa música a forma como ele canta, poderia funcionar. Se ele pudesse cortar minha voz como Lou Reed fazia com o vocal de John Calle, isso poderia fazer sentido.”

Vai ter Copa, sim. Um fato pouco conhecido sobre Ounsworth é que ele é fã de futebol, antes mesmo da boa campanha dos EUA no torneio de 2014. Ele acompanha o maior evento esportivo do mundo desde 1986, quando Maradona e “sua mão de Deus” encantaram a todos. Sobre o campeonato ocorrido por aqui ano passado, ele se mostra empolgado e é elegante ao comentar a derrota da seleção canarinho. “Eu esperava que o Brasil fosse tão longe quanto eles foram, mas não imaginava que eles fossem deixar a Copa de forma tão extravagante.” Alec se mostra um bom analista do esporte ao lembrar os desempenhos alemães: “Eu acompanhei a última Copa e a Argentina de Maradona vinha fazendo um bom trabalho, mas quando cruzaram os alemães é como se todos os defeitos do time ficassem evidentes. Acho que tudo o que poderia dar errado com o Brasil aconteceu naquela partida. Ao menos vocês puderam ver a Argentina perder na final.”

Será que Caetano empresta o companheiro? Alec explica que gosta de fazer sempre algo não usual para cada show. Uma boa forma de fazer isso é trocando as músicas de cada set, mas como desta vez trata-se da comemoração tocando na íntegra o disco de estreia, sobra pouco espaço para isso. Outra forma seria chamando convidados e isso sempre acontece quando há a oportunidade. “Acho interessante trazer pessoas diferentes ao palco. Por exemplo, quando eu toquei em Toronto recentemente, meu amigo Kevin (Drew) da banda Broken Social Scene estava no show e eu pedi que ele subisse ao palco. Nós fizemos um improviso de The Skin of my Yellow Country Teeth que acabou ficando meio esquisito.”

Ano passado ele falou sobre a admiração que tem por Gilberto Gil: “Eu assisti a um show dele no Carneggie Hall em Nova York há bastante tempo, foi das melhores performances que eu vi na minha vida, apenas ele, sem banda. Foi espetacular. Ele é tremendamente talentoso.” O vocalista chegou a perguntar se Gil estaria em São Paulo para um possível dueto. “Talvez, se ele ficar sabendo do show, eu possa pedir que ele suba ao meu palco.” Na época, porém, a lenda baiana estava em Porto Alegre em turnê e o encontro não aconteceu.

Quem sabe desta vez o Caetano empreste o companheiro. Ou eles poderiam formar um belo trio. É pouco provável, mas, mesmo só com Alec, o show promete ser divertido e na pior das hipóteses resgatar uma época saudosa e não tão distante da música.

Serviço:

Sábado – 29/08

20h00 – 21h30 Abertura da casa e DJs Funhell
21h30 – 22h30 DJ Fernanda Cardoso
22h30 – 23h30 Abertura: Aldo The Band
00h00 – Clap Your Hands Say Yeah
01h30 – DJs Selvagem

Ingresso: R$ 70 (meia) e R$ 140 (inteira)

Cine Joia
Praça Carlos Gomes, 82 – Liberdade

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