Billboard e Nielsen mudam forma de contar audiência e dificultam um novo ‘Despacito’
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Billboard e Nielsen mudam forma de contar audiência e dificultam um novo ‘Despacito’

Nova regra valoriza mais o streaming de contas pagas e tiram o peso de ouvintes não-assinantes

Alexandre Ferraz Bazzan

14 de julho de 2018 | 05h00

Luis Fonsi e Daddy Yankee cantam Despacito na cerimônia do Grammy – Foto: Lucas Jackson/ReutersNa última semana, Billboard e Nielsen anunciaram uma mudança na fórmula de contagem de streamings para a formulação dos rankings de música. Os grandes artistas americanos e ingleses não devem ser afetados de forma significativa pelo simples fato de concorrerem de igual forma nos principais mercados. Se Beyoncé perde ou ganha posições, Drake sofre o mesmo impacto já que os dois artistas disputam de forma igual as execuções em contas pagas e gratuitas. O mesmo não pode ser dito de fenômenos internacionais como Despacito de Luis Fonsi e Daddy Yankee e, por que não, Anitta. Eu explico o motivo.

A Billboard compila medições da Nielsen, que leva em conta 3 fatores: vendas físicas e digitais, execuções de rádio e de streaming. A fórmula criada inicialmente considerava 1 venda física para 1500 execuções online, independente da origem do streaming. O novo método dá mais peso para pessoas que assinam algum tipo de serviço, ou seja, pagam para ouvir música. Agora, 1 venda física equivale a 1250 execuções em uma conta paga ou 3750 execuções em contas não pagas, como o Spotify gratuito ou o YouTube. Uma conta gratuita precisa ouvir 3 vezes mais uma música para fazer diferença no ranking do que com a fórmula criada nos primórdios do streaming.

Despacito alcançou as primeiras posições da Billboard e se manteve por lá um bom tempo, mas, antes disso, ela foi um fenômeno do YouTube. Ela primeiro fez muito sucesso sendo reproduzida de forma gratuita, depois invadiu festas, rádios e virou hit nos EUA com uma ajudinha do cantor Justin Bieber, que adorou a música e apareceu cantando sem saber a letra direito em uma festa. A nova fórmula diluiria em 3 vezes o peso das execuções no YouTube e dificultaria muito mais o estouro do cantor porto riquenho.

Foto: Fábio Motta/Estadão

Anitta foi outra que caiu no gosto do povo e se internacionalizou com a mistura de um funk chiclete e um clipe ousado de Vai Malandra filmado em uma comunidade do Rio. A cantora brasileira não chegou a figurar no Hot 100 da Billboard, mas teve números impressionantes no YouTube e chegou a ser quarta mais escutada em todo o mundo na plataforma. Se Anitta se encaminhava para ser uma estrela mundial e aparecer nas principais paradas do mercado americano, agora a escalada ficou mais longa.

O brasileiro ainda tem o YouTube, que é gratuito, como a principal forma de ouvir música online e carioca vai ter a contabilidade de suas músicas diminuída por esse motivo.

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