Baterista brasileiro aprende músicas de Thurston Moore em um dia
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Baterista brasileiro aprende músicas de Thurston Moore em um dia

Alexandre Ferraz Bazzan

05 Dezembro 2014 | 02h24

Thurston Moore subiu ao palco e, apesar dos primeiros acordes esquisitos, o que causou maior estranheza foi o baterista. Estava claro que não se tratava de Steve Shelley, que também fazia parte do Sonic Youth. Já na segunda música Moore apresentou seus companheiros: “É bom estar de volta. Estou com uma nova equipe”. Na guitarra e no baixo, sem novidades, James Sedwards e Deb Googe, foi o baterista quem destoou da formação original: “Babalu.”

Mais adiante, Moore explicou que Shelley teve um problema de saúde de última hora e precisou regressar aos EUA. Já no backstage, Thiago Babalu tranquilizou os fãs que poderiam estar preocupados com a integridade de Shelley: “Foi um deslocamento de retina, em um emprego convencional o médico nem daria atestado”.  Entretanto, foi recomendado que o experiente baterista não fizesse movimentos bruscos. Babalu teve que aprender todo o set em um dia.

“Eu conhecia as músicas antigas dele e já tinha ouvido o disco novo, mas um negócio é ouvir, outro é tocar”, explicou. O espectador mais ocasional talvez nem tenha notado a diferença, tamanho o zelo do brasileiro por entregar um espetáculo bacana. “Passamos o set inteiro à tarde e fiz algumas anotações. À noite voltamos a tocar e eu anotei o que eu ainda tinha errado. Fiquei ouvindo as músicas até a hora do show para corrigir tudo”, conta ele que lembra de ter tocado com Lee Ranaldo, também do Sonic Youth: “com o Lee Ranaldo foi um grande improviso, me mandaram sentar na bateria e fazer um som, desta vez era um set específico.”

Babalu tocou bateria recentemente no disco de Jair Naves, e o talento com as baquetas não tem o mesmo efeito quando se trata de auto-promoção. “Tenho umas cinco bandas, gravei agora com o Jair e toquei hoje porque um amigo em comum me disse que precisavam de alguém.” Jair também estava no camarim após o show e, assim como o colega, mantinha uma postura low-profile.

Reprodução do Instagram de Jair:Thiago Babalu, Steve Shelley e Jair Neves

Reprodução do Instagram de Jair:Thiago Babalu, Steve Shelley e Jair Naves

The Best Day

Este é o quarto disco solo de Thurston Moore, o segundo desde que o Sonic Youth foi colocado em pausa, como ele gosta de dizer. As distorções e duelo de guitarras continuam ali, mas de uma maneira até mais melódica do que ocorria em sua antiga banda. Tiradas as longas introduções antes de cada canção, é bem provável que elas tocassem em qualquer rádio de rock.

Aos 56 anos Moore mantém uma postura jovial, parece um Neil Young americano da geração X, e de muitas formas ele se assemelha ao canadense. Os dois, muito altos, tocam guitarra de forma desajeitada e poderosa. Neil é considerado o padrinho do grunge, o Sonic Youth, além de exercer uma espécie de curadoria na Geffen, gravadora com a qual tinha contrato nos anos 1990, chamou o Nirvana para abrir vários de seus shows antes de Kurt Cobain se tornar o maior nome da indústria fonográfica. Moore tem uma carreira linear, sempre muito respeitado, mas sem conseguir grande sucesso comercial, outra coincidência com Young que também passou por bandas lendárias como Buffalo Springfield e Crosby, Stills, Nash and Young. Talvez Moore não tenha tanto combustível no tanque quanto Neil, mas os dois ainda devem gerar muita coisa boa.

Assista ao documentário “1991: The year punk broke”, feito durante a turnê do Nirvana com o Sonic Youth e com um jovem e atrevido Thurston Moore:

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