As maiores vaias da música
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As maiores vaias da música

Alexandre Ferraz Bazzan

16 Janeiro 2015 | 22h54

Existem aqueles dias em que acordamos com o pé esquerdo, tudo dá errado. No entanto, nem o mais pessimista imaginaria que Stevie Ray Vaughan seria vaiado em um festival de jazz. O guitar hero tocou em um dia dominado por apresentações acústicas em Montreaux em 1982, e o som elétrico desagradou meia dúzia de chatos.

“You’re a liar” – Dylan mandou a banda tocar bem alto para abafar os babacas que vaiavam ele em 1966.

Eles, os chatos, são onipresentes e já mostraram sua insatisfação em shows de Bob Dylan, Pearl Jam e João Gilberto. Veja algumas das vaias mais sonoras da história da música:

Stevie Ray Vaughan contrariou o pessoal que esperava algo no estilo “um banquinho, um violão” com uma apresentação digna de Jimi Hendrix no Festival de Jazz de Montreaux em 1982. É possível ver dois cabeças de vento indignados ao final do vídeo.

Eddie Vedder e o Pearl Jam participaram do Vote for Change e foram implacáveis com o presidente George W. Bush e sua campanha de medo. Acontece que quando eles lançaram Bushleaguer, no disco Riot Act, as cicatrizes do 11 de setembro ainda estavam abertas. A plateia vaiou e entoou em coro “USA” nesse show de 2003.

Brasileiros são quase especialistas nas vaias. Carlinhos Brown, Lobão e até, pasmem, João Gilberto foram vítimas da ira boba. Em 1968, Caetano Veloso ficou bravo com a patrulha jovem que não aceitou as guitarras de É proibido proibir.

Sérgio Ricardo foi outro que perdeu a paciência com a falta de respeito durante o III Festival da Música Popular Brasileira em 1967. Quebrou o violão e foi embora.

As vaias mais injustas da história da música, ou da história da vaia. Bob Dylan foi perseguido por fãs xiitas de folk que não souberam lidar com a fase elétrica do cantor. No Festival de Newport, em 1965, ameaçaram cortar os fios de seu palco e nesta(vídeo) apresentação de 1966 em Manchester ele foi chamado de Judas. Eu não posso acreditar.

*Para esse post eu contei com a ajuda dos colegas Guilherme Sobota, que foi quem teve a ideia e a lembrança de Stevie Ray Vaughan, e João Paulo Carvalho que recordou as vaias ao Lobão no Rock in Rio de 1991 e The Doors no escândalo de obscenidade na Flórida.