A música do ‘Coringa’
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A música do ‘Coringa’

Trilha original foi feita antes das filmagens e é fundamental na cena que mostra a transformação de Arthur Fleck em Coringa

Alexandre Ferraz Bazzan

11 de outubro de 2019 | 18h46

Niko Tavernise/Warner Bros. Pictures

Quem assiste ao Coringa sai do cinema com tantos questionamentos que um dos pilares principais do filme pode passar despercebido. A música. O diretor Todd Phillips encomendou à violoncelista islandesa Hildur Guðnadóttir a trilha sonora depois de terminar de escrever o roteiro com Scott Silver.

Guðnadóttir é responsável por deixar o filme ainda mais sombrio, se é que isso é possível, e modificar uma das cenas mais importantes. Depois de matar três figurões do mercado financeiro, Arthur Fleck se tranca em um banheiro público. No roteiro original, o personagem interpretado por Joaquin Phoenix vomita em uma privada suja e depois começa a se olhar no espelho. Tira a arma da cintura e coloca na cabeça, mas quando aperta o gatilho ouve apenas um clique. Os seis tiros nos investidores tinham consumido todas as balas. Então ele tira uma grelha da parede, joga o revólver lá dentro e começa a lavar do rosto a maquiagem de palhaço.

O resultado final é bem diferente do planejado. Phillips e Phoenix conversaram e acharam que a reação não seria a mais adequada para o personagem. Enquanto a equipe de 250 pessoas esperava do lado de fora, a câmera de Phillips mostra um Arthur ofegante dançando como se ele também estivesse ouvindo a trilha soturna. É a transformação de Arthur em Coringa.

Hildur Guðnadóttir diz que no começo da música você escuta apenas o violoncelo e a orquestra vai crescendo até quase abafar o seu instrumento. É como se o violoncelo fosse a empatia que sentimos pelo personagem e a orquestra o seu tumulto interno. Inicialmente ela é praticamente inaudível, mas depois ela quase sufoca o violoncelo, explicou a compositora em entrevista para a NPR.

A islandesa já tinha lançado discos solo e colaborado com o compositor compatriota Jóhann Jóhannsson, mas conseguiu maior reconhecimento após o Emmy com a trilha da série Chernobyl.

Ela diz que quando assistiu à dança de Joaquin Phoenix ao som de sua música, depois de finalizada a produção, o ciclo se fechou: “Foi um bonito diálogo sem palavras”.

Hildur Guðnadóttir – Foto: Jake Giles Netter/The New York Times

 

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