A hipótese de o Arcade Fire ter feito um disco ruim de propósito
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A hipótese de o Arcade Fire ter feito um disco ruim de propósito

Alexandre Ferraz Bazzan

06 de agosto de 2017 | 00h33

Guy Aroch/Reprodução

Everything Now é o pior disco do Arcade Fire até hoje. Para uma banda que tem Funeral, Neon Bible e The Suburbs em sua discografia, isso não é dizer muito. A maioria dos discos lançados depois de 2000 é pior do que estes álbuns. O crítico de música Jon Caramanica, do The New York Times, faz uma reflexão e piada ao mesmo tempo: “O disco não seria tão ruim se não fosse do Arcade Fire”. Com isso, ele quer dizer que se fosse uma banda pop ruim qualquer, o novo trabalho seria recebido sem críticas, tocaria no rádio e passaria como qualquer onda. Mas o disco é do Arcade Fire.

Para a divulgação, eles criaram spinners, fizeram jaquetas iguais para todos os integrantes, como um uniforme, e outras coisas idiotas. É como se Everything Now fosse uma grande multinacional. O fã menos fanático pode perguntar o que é toda essa babaquice, mas a aparição da banda no programa de Stephen Colbert mostra que tudo não passa de um “personagem”. Para a participação, eles fizeram uma lista bem tosca de exigências, entre elas, um andar só para a banda e um pacote de cachorro-quente vegano”(NENHUMA OUTRA BEBIDA OU COMIDA)”.

Aí você começa a se perguntar se eles estão tirando uma com a tua cara. A resposta é sim, mas a questão central é: até onde eles iriam para provar um ponto. Em 1961, o artista italiano Piero Manzoni criou 90 latinhas com rótulo escrito “Merda do Artista”. Ele dizia que as embalagens, de fato, tinham excreções dele. A ideia era radical até quando comparada com o urinol de Marcel Duchamp, ainda mais por se tratar de um artista até então pouco conhecido. A obra ganhou importância e críticas na mesma medida e o que é pior, ninguém nem poderia abrir as latas para conferir, por curiosidade mórbida, se o negócio realmente tinha merda dentro para não estragar o conceito. Poderiam muito bem ser latinhas vazias.

Voltando ao Arcade Fire. Até onde eles chegariam para provar um ponto ou criar um conceito? Everything Now aprofunda o som dançante de Reflektor e se afasta muito do começo da carreira da banda e o resultado, musicalmente, não é legal. As letras, que nunca foram o forte de Win Butler, desta vez variam do bobo ao pretensioso. Em um trecho de Creature Comfort, uma das melhores do disco, ele canta:

“Ela sonha em morrer o tempo todo
Ela me disse que chegou muito perto
Encheu a banheira e colocou nosso primeiro disco para tocar”

E também:

“Deus, me faça famoso
Se não puder, faça pelo menos com que seja indolor”

Algo que talvez um adolescente viciado em 13 Reasons Why faria.

Se o disco é um conceito para provar que eles podem ter sucesso fazendo qualquer porcaria, não se sabe, mas ele já atingiu o primeiro lugar das paradas britânicas.

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