A ‘desaposentação’ de Michael Stipe
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A ‘desaposentação’ de Michael Stipe

Ex-líder do R.E.M. disse em entrevista que quer voltar a trabalhar com música

Alexandre Ferraz Bazzan

20 de novembro de 2016 | 23h57

O Supremo barrou recentemente a possibilidade de um trabalhador poder se “desaposentar”. As ações buscavam um recálculo previdenciário, mas esse não é um texto jurídico e nem sobre economia. Se as ações no STF poderiam aumentar o rombo no Brasil, ao menos uma desaposentação pode deixar esse mundo melhor.

Michael Stipe, ex-líder do R.E.M., ajudou a construir a cena independente dos EUA, assinou um dos melhores contratos da história da indústria fonográfica, virou estrela mundial do rock com a música Losing My Religion e influenciou artistas como Kurt Cobain.

Foi sem alarde que uma das bandas mais importantes dos últimos 30 anos encerrou as atividades, logo após o lançamento do 15º disco, Collapse Into Now, em 2011. Diferente do que houve com Smiths ou Oasis, os integrantes não brigaram. De lá para cá, o guitarrista Peter Buck se dedicou ao trabalho solo e lançou um disco apenas em vinil por uma gravadora independente, o baixista Mike Mills fez participações pontuais e seguiu com a banda The Baseball Projecti, enquanto Stipe virou artista plástico.

O hiato foi quebrado quando ele abriu para Patti Smith, em Nova York, com um set de covers.

A última vez que o R.E.M. veio ao Brasil, ele vestia um terno bem cortado e entre uma música e outra declarava toda sua felicidade pela recente vitória de Obama nas eleições.

O guitarrista Tom Morello disse que o Rage Against the Machine foi irresponsável ao encerrar as atividades durante a gestão Bush(filho). A possibilidade de uma banda mudar os rumos de um país é pequena, mas não deixa de ser mais uma voz de contestação. O desejo de Michael Stipe voltar à música coincide exatamente com a vitória de Trump. Ele foi um apoiador ávido da antítese do bilionário fanfarrão, chegou a aparecer comendo pizza ao lado de Bernie Sanders e usou sua conta no Instagram para defender o candidato, que acabou perdendo para Hillary Clinton nas prévias do partido Democrata.

Ultimamente, Stipe tem feito de tudo, menos a barba - Foto: Brendan McDermid/Reuters

Ultimamente, Stipe tem feito de tudo, menos a barba – Foto: Brendan McDermid/Reuters

Este ano, ele participou de homenagens a David Bowie e esteve ativo no lançamento de uma reedição de Out Of Time, o disco de maior sucesso comercial do R.E.M.. Em uma entrevista ao New York Times, ele diz que a experiência despertou a vontade de voltar para a música. A má notícia é que isso provavelmente não significa uma volta da antiga banda. “Eu não estou preparado para ser uma estrela do pop novamente”, disse o cantor.

Na entrevista, ele também fala um pouco sobre Out of Time e outros discos do R.E.M.. No final, ele ainda brinca dizendo que arranha em karaokês uma versão bêbada de Justify My Love, da Madonna. Que as aventuras do karaokê se transformem em algo concreto.

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