5 shows memoráveis do Oscar
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5 shows memoráveis do Oscar

Em 2015 a música deve ter papel de destaque na cerimônia

Alexandre Ferraz Bazzan

21 de fevereiro de 2015 | 17h15

O Estadão adiantou no último dia 20 que a principal premiação do cinema deve ter a participação de números musicais que vão além das canções originais tradicionalmente apresentadas. Os produtores acreditam que a inclusão de música pode deixar a cerimônia mais divertida.

A tradição de apresentar as melhores canções originais começou em 1946 durante a 18ª edição. De lá para cá artistas renomados cantaram músicas próprias ou composições de outras pessoas. Entre as principais estrelas estão Frank Sinatra, Carlos Santana, Björk e Beyoncé.

Veja abaixo algumas das performances mais tocantes:

Michael Jackson – Ben (1973) do filme Ben, o rato assassino

Michael elevou a palavra prodígio a níveis nunca atingidos novamente. É sempre bom lembrar dele quando surge algum novo fenômeno que chega com a promessa de mudar o cenário.

Bruce Springsteen – Streets of Philadelphia (1994) do filme Filadélfia

O filme toca no tema da Aids em uma época em que o assunto não era discutido tão abertamente. Importante reconhecimento da academia e o chefe faz uma apresentação que traz lágrimas aos olhos.

Adele – Skyfall (2013) do filme 007 – Operação Skyfall

Não há muito o que dizer sobre Adele. Em pouco tempo de carreira a inglesa de voz poderosa já tem vários Grammys e reconhecimento mundial. Quase uma unanimidade.

Karen O e Ezra Koening – The Moon Song (2014) do filme Her

Música bonita composta por Karen O, conhecida inicialmente como vocalista do Yeah Yeah Yeahs, e cantada por Joaquin Phoenix em Her. No Oscar ela trouxe outro rapaz de Nova York para acompanha-la, Ezra Koening do Vampire Weekend.

Elliott Smith – Miss Misery (1998) do filme Gênio Indomável

Céline Dion se tornou daquelas divas que entram em dvds de coletânea que dão um descanso entre o vídeo da Claudia Leite e do Victor e Léo naquela festa de fim de ano na casa do teu tio brega que não sabe nada de música. Era uma barbada para 1998 já que também havia vencido o Grammy, mas Elliott Smith de violão e terno branco tem uma delicadeza muito bonita.

Elliott Smith e sua deterioração. Com seu terceiro disco, Either/Or, Smith já era um herói indie. Em 1997, o diretor Gus Van Sant usou algumas músicas de XO (quarto álbum) em Gênio Indomável e pediu que o cantor compusesse uma canção original para para o filme. Miss Misery é linda e cheia de melancolia, e não demorou para que o compositor tímido fosse comparado a uma mistura de Kurt Cobain com Lou Barlow.

Foto: Reprodução

Foto: Reprodução

Ele deu entrevistas para toda a imprensa especializada e voltou com uma produção maior em Figure 8. Seu último registro em vida não é o preferido daqueles que o acompanhavam desde o início, talvez por se distanciar um pouco da simplicidade dos seus antecessores, mas também é uma grande gravação pop.

Fã de Beatles, Big Star e Cat Stevens, ele trouxe de volta não somente a melodia harmoniosa do power pop, mas também o cabelo mop top. É possível perceber o corte no clipe de Son of Son, dirigido pela fotógrafa Autumn de Wilde.

Autumn se tornou amiga próxima de Elliott e lançou em 2007 um livro com fotos e depoimentos de pessoas que conheceram o cantor. As lembranças dão conta de um rapaz tímido, considerado um gênio por contemporâneos como os caras do Death Cab For Cutie, que era encantador no primeiro contato, mas que perdia toda a doçura conforme ficava íntimo das pessoas.

Depois do sucesso sua saúde foi se deteriorando. Ele imaginava que agentes de sua gravadora o perseguiam por Figure 8 não ter vendido o quanto eles esperavam. Pequenas manias como não sair de casa sem seu bracelete de couro se tornaram constantes e até os shows perderam um pouco da espontaneidade e confiança. Ele costumava se apresentar somente com voz e violão e a plateia ficava no mais absoluto silêncio. No final da carreira ele já errava alguns acordes e parava no meio das músicas esquecendo as letras. Mesmo assim era incentivado com gritinhos de “está ótimo” e “nós te amamos”.

Aqui ele se esforça para chegar ao fim de Unlucky Charm.

Sua morte ainda carrega um pouco de mistério, mas tudo indica que ele se matou, em 2003, com duas facadas no peito depois de forte discussão com a namorada Jennifer Chiba. Ele tinha 34 anos.

Uma curiosidade era que ele se chamava Steven Paul Smith e, quando teve empresário pela primeira vez, chegou a perder um voo porque a passagem tinha sido reservada para Elliott Smith.

Cantando Happiness na TV com a inseparável pulseira.

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