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Era uma vez… um encontro sobre histórias para crianças e adultos

Jerusa Rodrigues

13 de maio de 2014 | 18h06

Projeto que trata da arte da narração reúne espetáculos, debates e oficinas, com presença de convidados nacionais e internacionais

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Mestre| Lydia Hortélio é uma das atrações do evento

 
Boca do Céu – Encontro Internacional de Contadores de Histórias, sob curadoria de Regina Machado, segue até 18 de maio, em três espaços da cidade: Oficina Cultural Oswald Andrade, Itaú Cultural e Auditório Ibirapuera. Todas as atrações são gratuitas e apenas o Itaú Cultural solicita a retirada de senha com 30 minutos de antecedência.  Além dos três espaços, alguns irão se apresentar em quatro Fábricas de Cultura da Secretaria de Estado.

“O projeto nasceu do sonho de criar um encontro para as pessoas contarem e ouvirem histórias, num espaço de palavra, música, dança e silêncio, com a presença dos mais diversos tipos de artistas. Falta céu no horizonte da cidade”, explica Regina, atriz e educadora, responsável por selecionar os 54 convidados nacionais e internacionais.

A abertura do programa foi na Oficina Cultural Oswald Andrade, segunda (12), às 8h15, com a aula ‘Corpopular’, coordenada por Leandro Medina. Arte-educador e poeta, Medina abordou o universo da cultura popular, com danças, cantigas e brincadeiras. Esta atividade se repete nos dias seguinte, até o sábado, no mesmo local e horário.

Uma das principais atrações, Lydia Hortélio dá uma aula de ‘Rodas de Verso’, às 9h, também na Oficina Cultural Oswald Andrade. A educadora fala sobre a importância da música e do movimento na formação das crianças, ou ‘dos meninos’, como ela gosta de dizer. Lydia, uma das maiores especialistas na cultura do brincar no País, costuma atribuir o início de sua formação à experiência que teve na infância, brincando em um quintal com 15 mangueiras, no sertão da Bahia. A atividade de Lydia ocorre também neste quarta (14), no mesmo dia e local.

“Lydia Hortélio muito nos ensina sobre a cultura da infância e nos incita a refletir sobre o Brasil profundo. É uma senhora que quando entra numa cantiga de roda parece que tem sete anos de idade e sua voz é como a melodia da alma da gente”, resume Regina.

Para a garotada, na Oswald Andrade, no sábado, às 10h, tem exibição do projeto OCA Escola de Cultura, com crianças de Carapicuíba. No mesmo dia, às 14h, Paulo Freire apresenta o espetáculo ‘Viva o Causo Brasileiro’. Domingo, às 11h30, Mirela Estelles e Amarilis Reto contam ‘O espelho Mágico e o Príncipe Serpente’ com tradução em libras (trabalho que elas fazem há alguns anos, no MAM).

No Itaú Cultural, a programação será mais dirigida ao público mirim.  No sábado (17), às 16h tem ‘Histórias que Cantam’, para o público em geral, com o grupo Triii.

O ponto alto do evento será sábado (17), às 21h30, no Auditório Ibirapuera, com a exibição do espetáculo ‘Caravanserai’ – palavra de origem persa formada pela combinação das palavras caravana (karvan) e lugar (sara). A programação começa com as crianças da Oca Escola de Cultura (de Carapicuíba) e segue com músicos contadores. Entre eles, Toninho Carrasqueira, Gabriel Levy, Paulo Freie, Lucilene Silva, Sergio Pererê, Estevão Marques e o canadense Dan Yashinsky. “Nessa noite de celebração da Arte da Palavra e das Melodias encantadoras, vou receber todo esse povo de viajantes e também vou contar uma história”

Sobre a propagação da narrativa, Regina resume: “O ressurgimento da Arte da Palavra falada, bem dita, como costumo dizer, se deu em muitas partes do mundo a partir de meados da década de 1970. No Brasil, no começo dos anos 1980, pessoas começaram a contar histórias nos contextos urbanos com pesquisas e intenções diversas, sem se conhecerem. O movimento foi crescendo. Acredito que no fundo por uma necessidade vital de busca de encontros humanos significativos, quem sabe desejando um oásis para sonhar o que poderia ser um mundo melhor”

 

TRÊS PERGUNTAS PARA REGINA MACHADO
Boca do Céu ganhou esse nome em homenagem a história Festa no Céu?
Nunca tinha pensado nisso, mas é uma lembrança muito bem-vinda! É um conto especial, que tem tudo a ver. Para dizer a verdade não lembro mais como esse nome me surgiu. O bom é que pode ressoar em cada pessoa de um jeito diferente, como esse sentido que você entendeu, tão legal.

Quais, na sua opinião, são os melhores contadores de história fora do Brasil?
Há uma quantidade enorme de bons contadores pelo mundo afora. Procuro sempre convidar artistas que já vi contar, que têm pesquisas consistentes de arte narrativa e que acreditam na força desse trabalho. Teremos esse ano artistas experientes, com um trajeto exemplar, como o francês Michel Hindenoch, que é também músico e tem um modo muito especial de buscar a profundidade de sua voz. O libanês radicado na França, Jihad Darwiche, especialista nas ‘Mil e Uma Noites’. Elvia Perez, pioneira do movimento de contadores de histórias em Cuba. E o nosso querido Dan Yashinsky, de Toronto, que sempre vem ao Boca do Céu e tem se dedicado por mais de 30 anos a narrar e criar festivais, escrever livros e que também atua em comunidades e escolas. É um dos maiores contadores que já conheci e é muito esperado pelo público de contadores do Boca do Céu. Mas também acho importante convidar os jovens que estão começando, com sua garra e estilo pessoal. É o caso da irlandesa Clare Murphy, que vejo como uma digna representante da nova geração, só vendo pra entender o que estou falando. Há também Hugh Cotton, um inglês que mora em Toronto e trabalha numa escola contando história para crianças pequenas.

Qual o segredo para prender a atenção nos dias de hoje?
Nasrudin reuniu as pessoas na praça:
–Vocês querem uma vida boa, cheia de alegrias?
_Queremos!
_Com muita fartura e sucesso?
_Queremos
_Quando vocês descobrirem como, podem me contar por favor?

 

Oficina Cultural Oswald de Andrade: R. Três Rios, 363, Bom Retiro.
Itaú Cultural. Av. Paulista, 149, Estação Brigadeiro do Metrô. 
Auditório Ibirapuera. Av. Pedro Álvares Cabral, s/nº, Portão 2, Parque do Ibirapuera

 http://bocadoceu.com.br/

 

 

 

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