O que você achou da retirada das aves da Bienal de São Paulo?

Estadão

09 de outubro de 2010 | 18h30


‘Foi censura ambientalista’ – ANGÉLICA DE MORAES, CRÍTICA DE ARTE

‘Nada mais certo que retirá-los’  – ROSA RAMOS, ADVOGADA DA COMISSÃO DE MEIO AMBIENTE DA OAB-SP

Marcela Spinosa

CONTRA


“Se o atestado dos especialistas em fauna silvestre do Ibama comprovou que o local não era adequado para os urubus, nada mais correto do que retirá-los de lá. É sempre de bom senso revisar as decisões.  Ainda que o Ibama tivesse autorizado, as pessoas também são passíveis de erro.”

“É hipocrisia se preocupar tanto com a saúde de animais que têm respaldo veterinário, enquanto se passa diariamente por mendigos na rua sem fazer nada.  Não existe a preocupação com o bicho homem.  O motivo foi censura com falsa argumentação ambientalista.  Tem gente aplaudindo e mantendo canário na gaiola. ”

A FAVOR

Viviane Biondo

Parte do público que visitou ontem a 29ª edição da Bienal de São Paulo ficou decepcionada com a saída dos três urubus da instalação Bandeira Branca , do artista Nuno Ramos.  Para eles, a obra ficou sem vida.  As aves foram removidas anteontem de lá por determinação da Justiça.  Amanhã, a Fundação Bienal deve decidir com o artista se o que restou da obra permanecerá na mostra.

O ator Affonso Lobo, de 35 anos, classificou a decisão da Justiça e do Instituto Brasileiro do Meio Ambiente e dos Recursos Naturais (Ibama), que cancelou a licença dada de exposição dos animais, como “mutilação” à obra.  Ele viu a instalação com e sem as aves.  “Os urubus eram o contraponto às peças sólidas e escuras da instalação.  Simbolizavam a vida na obra.  Agora não dá para entender a mensagem do artista. ”

Os urubus ficavam confinados em uma área delimitada por rede de proteção cujo interior tem três peças geométricas e três postes de areia negra com caixas de som.

A engenheira Ângela Fonseca, de 49, não gostou da ideia do artista em colocar os animais na peça, mas ficou curiosa com a obra e foi ontem a Bienal vê-la de perto.  “Falta algo.  Não dá para entender o que o artista quer passar. ” Já o pai dela, o pintor Armado Peres, de 80, comemorou a volta dos animais para o Parque dos Falcões, em Sergipe, de onde vieram e vivem em cativeiro.  “Urubu deve comer bicho morto e não ficar aqui. ”

Os urubus chegaram em Sergipe ontem às 6 horas.  “Lamento o fato de eles terem voltado antes da data prevista”, disse o veterinário Willian dos Anjos Pereira, do Parque dos Falcões.  “O que provocou o retorno é que foi muito chato.  Foram questões políticas influenciando uma outra área. ”

O curador da Bienal, Agnaldo Farias, concorda.  “Foi péssima a saída dos urubus.  O Ibama desautorizou o próprio Ibama, que havia concedido a licença e depois a cancelou”.  Ele, porém, não considera a decisão da Justiça como censura. “É incompreensão a um trabalho de arte. ”

Já a crítica de arte Angélica de Moraes considera censura a retirada dos animais.  “Tem gente que aplaudiu a decisão enquanto mantém um canário na gaiola, sem espaço para voar. ”

A historiadora da arte, crítica e curadora da Fundação Nemirovsky, na Pinacoteca do Estado, Maria Alice Milliet, disse que a instalação de Nuno cumpriu a missão.  “A obra de arte tem o papel de levantar questões e colocá-las em debate.  Principalmente na Bienal, que sempre teve o espírito de trazer o que há de mais avançado no campo da arte. ” Para Rosa Ramos, vice-presidente da Comissão de Meio Ambiente da Ordem dos Advogados de São Paulo (OAB-SP), a instalação era inadequada.  “Por mais que o Ibama tenha dado autorização, as pessoas também são passíveis de erros. “

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