O que ver no último final de semana da Bienal

Estadão

11 de dezembro de 2010 | 08h00

Camila Molina

Uma sugestão de obras para ver ou rever na 29.ª Bienal de São Paulo. A mostra termina neste domingo no Ibirapuera.

No térreo:

1- “As Seções de Um Momento Feliz de Argel” – David Claerbout. Nesta obra criada pelo artista belga em 2008, a imagem de uma cena em preto e branco em que grupo de homens contemplam a revoada de gaivotas na cobertura de um edifício argelino é desmembrada em uma sucessão delicada e inacreditável de fotogramas que, curiosamente, revela os detalhes de um momento, estendendo-o e transformando-o.

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2- “Je Vous Salue, Sarajevo” – Jean-Luc Godard. O rápido vídeo do cineasta Jean-Luc Godard, de 1993, também desmembra uma mesma fotografia, mas nesse caso, uma imagem de guerra enquanto faz belo discurso em off travando a relação política e cultura e enaltecendo o papel da arte como “exceção”.

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1.ª andar:

3 – “Do Leste, na Fronteira da Ficção” – Chantal Akerman. Dentro da sala escura, o visitante primeiro encontra o filme “D’Est” (1993), documentário da cineasta belga feito no leste europeu. Mas o impressionante é seguir o percurso da sala e chegar à instalação com fileiras de televisores em que as imagens revelam um ritmo de passagem, remetendo ao processo histórico da travessia dos países da região entre o regime comunista e capitalista.

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2.º andar:

4 – “Fantasmas de Nabua” – Apichatpong Weerasethakul. O premiado cineasta tailandês apresenta sua maneira peculiar de chegar a imagens mágicas (surreal) em que fragmenta o momento que um grupo de jovens (arruaceiros?) jogam futebol com bola de fogo. Filmado à noite.

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5 – “Minimo macho, minimo fêmea” – Pedro Costa. Oportunidade de se ver a linguagem peculiar do cineasta português desconcertando narrativas.

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3.º andar:

6 – “Serious Games” – Harun Farocki. O cineasta alemão apresenta sua pesquisa com animação/simulação computadorizada, entrando no campo da discussão sobre o trauma de soldados vividos na guerra no Oriente Médio.

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7 – “Estático” – Steve McQueen. A videoinstalação do cineasta inglês desdobra o ícone americano da Estátua da Liberdade. O monumento é filmado a partir de um helicóptero – a câmera o circunda e o investiga.

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8 – “In The Time of Aids” – David Goldblatt. Série do consagrado fotógrafo sul-africano pontual, inteligente e política em que o espectador deve procurar pela fita vermelha que simboliza a Aids em meio a paisagens e cenas urbanas.

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9 – “A Balada da Dependência Sexual” – Nan Goldin. Slide-show de imagens afetivas realizadas pela fotógrafa americana em seu círculo particular entre 1979 e 2004.

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10 – “Tornado” – Francis Alys. Impressionante videoinstalação em que o artista belga persegue um tornado.

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11 – “Abajur” – Cildo Meireles. Não há como não ficar engasgado com a instalação do artista brasileiro fechando a exposição. A aparição da beleza de uma imagem idílica azul, de navio, céus, mares, gaivotas só acontece quando um cilindro é movimentado e iluminado pela força humana. A escravidão tratada de forma nua e crua.