Grupo invade Bienal de SP, ataca e picha obra

Estadão

26 de setembro de 2010 | 17h33

Camila Molina e Márcio Pinho

Não bastassem as obras polêmicas, um tumulto marcou a abertura, sábado,  da 29.ª Bienal, no Parque do Ibirapuera, e provocou seu fechamento pouco antes do horário previsto.  Por volta das 18h20, um grupo de 30 pichadores invadiu a instalação Bandeira Branca, de Nuno Ramos, e pichou a frase “liberte os urubu (sic)”.  Houve confronto entre os seguranças e os manifestantes.

Um rapaz cortou com estilete a rede que protegia o trabalho do artista e com spray branco escreveu a inscrição em uma das grandes esculturas negras da instalação.  A inscrição faz menção direta às três aves que compõem a obra.

O ocorrido causou tumulto no pavilhão, com cenas de agressão protagonizadas tanto pelo corpo de seguranças da mostra quanto de pessoas que estavam no local.  A polícia chegou e em meio a protestos, gritos e apitos, levou um casal preso para o 36.º DP.  De lá, os dois suspeitos de pichar a instalação iriam para o Departamento de Polícia de Proteção à Cidadania, no centro da cidade.

Apesar do episódio, o produtor da Bienal, Emilio Kalil, afirmou que a exposição será aberta normalmente hoje.  “Informei o Nuno Ramos e ele vai decidir se mantém ou remove os dizeres”, disse Kalil.  “Será uma queixa crime e o setor jurídico (da Bienal) vai tomar as providências.  Foi vandalismo”, afirmou ainda o produtor.

A Fundação Bienal de São Paulo ainda não fez nenhum comunicado oficial sobre o fato.  A instituição remendou a rede que protege a obra de Nuno Ramos.

A visitação de ontem estava marcada para ser encerrada às 19 horas.  Aos poucos, o público foi sendo retirado do prédio.

Protesto. Segundo os manifestantes, o protesto ocorreu por causa da seção “Pichação”, que reúne vídeos e fotos de pichadores e seus trabalhos.  Para eles, a Bienal teria de mostrar pichações de fato, e não imagens delas.  Os manifestantes não explicaram por que escolheram a obra de Nuno Ramos para fazer o protesto.

Sua instalação já havia causado polêmica por causa da presença dos três urubus dentro da cerca que envolve a obra.

Ambientalistas e representantes de associações protetoras de animais pediram a retirada da obra alegando que as aves estavam sendo maltratadas, mas a direção da Bienal negou as acusações e manteve a instalação.  “Estou chocado e profundamente triste”, disse ontem Nuno Ramos.  “Há muito tempo não via algo assim. ”

O casal preso negou que tenha pichado a obra.  O rapaz, suspeito de integrar o grupo que fez pichações na Bienal de 2008, apenas entregou um cartão com o nome “Rafael Pixobomb”.

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