Garimpagem na Bienal

Estadão

29 de setembro de 2010 | 19h34

Felipe Branco Cruz

Quem quiser ver as mais de 800 obras, criadas por 159 artistas e expostas na 29ª edição da Bienal de Artes de São Paulo precisará reservar, pelo menos, um dia inteiro.  Algumas dessas obras já ganharam o carimbo de “imperdíveis”. É o caso de Inimigos, de Gil Vicente, que mostra o artista assassinando figuras públicas – como Lula e Fernando Henrique Cardoso -, dos urubus da instalação Bandeira Banca , de Nuno Ramos e da 350 Points Towards Infinity, da italiana Tatiana Trouvé, em que pêndulos presos ao teto cruzam-se e ficam parados no ar, graças à ação de um campo magnético.

Mas a Bienal também tem pequenas joias raras, que somente aqueles que a visitarem com calma poderão observar.  Com as dicas do curador do evento, Agnaldo Farias, garimpamos sete desses achados.  São obras que se destacam pela forma simples e por serem absurdamente provocantes ao espectador. É o caso, por exemplo, de

Beggars, do turco Kutulug Ataman.  Trata-se de uma projeção em alta definição de seis vídeos de mendigos.  As cenas são tão reais que chegam a incomodar.  Como os pedintes foram filmados olhando diretamente para as lentes da câmera, de qualquer ângulo que o espectador olhe, ele terá a nítida impressão de que o mendigo o está encarando.  Outra sugestão é a obra do cubano Carlos Garaicoa, Las Joyas de La Corona.  Utilizando prata fundida como matéria-prima, ele reproduziu oito miniaturas de edifícios que significam o poder estatal, como a Base de Guantánamo, a KGB e o Pentágono.  Confira, a seguir, essas e outras pérolas artísticas que garimpamos na Bienal.  Tudo para que você curta a mostra com um olhar mais apurado.


A seleção

Obra: Beggars

Artista: Kutlug Ataman (Turquia)

Descrição: Seis projeções em alta definição de mendigos.

Por que vale: Trata-se de uma instalação perturbadora, pois faz o espectador olhar para pessoas consideradas ‘invisíveis’ nas ruas.

Obra: Not I

Artista: Samuel Beckett (Irlanda)

Descrição: Versão em vídeo da peça homônima.

Por que vale: Foca numa boca.

Percebe-se que a boca fala, mas não se compreende o que diz.  A boca vira apenas um órgão de emissão.

Obra: Buraco Negro

Artista: Cinthia Marcelle (Brasil)

Descrição: Dois personagem fora de foco dialogam pelas sombras.

Por que vale: Vídeo-instalação em que as cores branco e preto se destacam. É preciso acompanhar o vídeo para entender a história.

Obra: Las Joyas de la Corona

Artista: Carlos Garaicoa (Cuba)

Descrição: Miniaturas em prata fundida de prédios de governos.

Por que vale: Lugares feitos para mostrar poder, como Estádio do Chile, palco de torturas na ditadura daquele país.  Cada obra é uma joia, assim como o governo vê esses prédios.

Obra: O Jardim, Faço Nele a Volta ao Infinito – Parte 01

Artista: Albano Afonso (Brasil)

Descrição: Jogo de luzes e espelhos, projeções e sombras.

Por que vale: O espectador interfere na obra, tendo várias percepções de um mesmo tema.

Obra: O que é arte?

Artista: Paulo Bruscky (Brasil)

Descrição: Série de fotografias do autor pelas ruas do Recife.

Por que vale: O autor escolheu fazer arte utilizando anúncios
de jornais ou saindo às ruas fantasiado de homem-sanduíche.

Obra: Las Aventuras de Guille y Belinda

Artista: Alessandra Sanguinetti (Argentina)

Descrição: Ensaio fotográfico.

Por que vale: Belíssimas fotos de duas crianças recriando
seus mais estranhos sonhos.

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