Bienal tamanho família

Estadão

28 de outubro de 2010 | 18h47

Marina Vaz

Uma boa forma de incentivar o gosto das crianças pela arte é levá-las, desde cedo, a exposições. Se as obras expostas forem lúdicas e permitirem interação, como muitas da 29ª Bienal de São Paulo, melhor ainda. No evento, que tem entrada franca e acontece até 12 de dezembro, há obras que parecem cavernas, instalações labirínticas e trabalhos que podem ser vistos como um verdadeiro playground. Selecionamos oito obras de artistas como Helio Oiticica, Henrique Oliveira, Amélia Toledo e Ernesto Neto. Assim, você aproveita a Bienal para ver obras de grandes artistas com a família. E arranja um bom pretexto para, diante delas, voltar a ser criança.

Cansou de dizer a seus filhos que é proibido tocar nos quadros? Leve-os até a obra ‘Campos de Cor’, de Amélia de Toledo. Lá eles poderão não apenas tocar telas de juta tingida, como também entrar no labirinto formado por elas.

A instalação ‘Ninho’, de Helio Oiticica, pode lembrar uma cama beliche. Ou um brinquedo do tipo trepa-trepa. De todo modo, as crianças certamente vão gostar de subir e descer as escadas dos três andares da obra, entrar nas cabaninhas iluminadas por luzes de diversas cores e deitar nas almofadas que há em cada uma delas.

Apesar do ambiente escuro, o enorme cubo preto ‘Inferninho’, de Luiz Zerbini, tem atrativos que afastam qualquer medo infantil. Dentro dele, o chão é de areia (lembrou dos parquinhos?) e, nele, há projeções de formas coloridas que ‘dançam’ pelo ambiente. O movimento das luzes convida o público (adulto ou não) a saltar de uma imagem para outra.

Com uma estrutura gigante coberta por ripas de madeira, ‘A Origem do Terceiro Mundo’, de Henrique Oliveira, lembra o formato de uma caverna. Pais e filhos podem entrar juntos no local, ‘desbravar’ seus caminhos e sair em outro lado do Pavilhão da Bienal.

Tesouras feitas com papel recortado, réguas de madeira, cadernos e globos com o mapa-múndi. Referências próximas ao universo (escolar) das crianças estão na instalação criada por Mateo Lopez, ‘Palácio do Papel’. Mas, neste caso, a obra é só para olhar.

Os ‘terreiros’, espaços criados por artistas e arquitetos para convivência, apresentações e debates, são bons lugares para levar as crianças.
‘Longe Daqui, Aqui Mesmo’, criado por Marilá Dardot e Fabio Moraes, é um labirinto de alvenaria, com portas e tapetes que reproduzem capas de livros. Nele, uma sala central expõe um gigante exemplar aberto do livro ‘O Pequeno Príncipe’, de Saint-Exupéry. Nos caminhos do labirinto, um dos tapetes literários é a capa de ‘Rayuela’, de Julio Cortázar, que reproduz um jogo de amarelinha. Quem quer jogar?

Na mesma linha de instalação labiríntica, o ‘terreiro’ de Carlos Teixeira, ‘O Outro, O Mesmo’, é feito de papelão empilhado. Em alguns espaços, de tão estreitos, só sendo criança mesmo para passar.

Tirar os sapatos antes de entrar é pré-requisito para entrar no ‘terreiro’ de Ernesto Neto, ‘Lembrança e Esquecimento’. Não que as crianças reclamem – muito pelo contrário. Enquanto descansam na grande almofada vermelha, elas podem ver as cores do arco-íris formado na tenda do local e deitar em almofadas redondas recheadas de especiarias. O cheiro de camomila vai deixá-las calminhas.

Serviço
Pavilhão da Bienal. Pq. do Ibirapuera. Av. Pedro Álvares Cabral, s/nº, portão 3, 5576- 7600. 9h/18h (5ª e 6ª, 9h/21h). Grátis. Até 12/12.

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