A arte de matar o presidente

Estadão

26 de setembro de 2010 | 20h13

Tutty Vasques

Não chega a ser plágio, mas a ideia artística de matar o presidente do Brasil não é original do pernambucano Gil Vicente naqueles desenhos em carvão que viraram polêmica na abertura da 29ª Bienal de São Paulo.  Antes de Lula e FHC – vítimas da vez -, Fernando Collor já havia sido abatido por Gabriel, o Pensador, com “um tiro só, bem no olho do safado’.  Diz o rap Tô Feliz (Matei o Presidente), de 1992:

Todo mundo bateu palma quando o corpo caiu/ Eu acabava de matar o presidente do Brasil.

Tá certo que a imagem de um assassinato vale mais que mil palavras a respeito de outro, mas a letra quilométrica e sanguinária da canção também contou com a ajuda decisiva da censura para dar fama de pensador a um moleque que, na época, tinha a idade do Neymar.  O rapper Gabriel nasceu assim, sob os auspícios da proibição no rádio e na TV em todo o território nacional.

Não me arrependo nem um pouco do que fiz/ Tomei uma providência que me fez muito feliz.

Gil Vicente, da mesma geração do também pernambucano Maurício Arraes – gente que educou o pincel na Paris dos anos 1970 -, também só tem a agradecer à força que a Ordem dos Advogados do Brasil deu na divulgação da série Inimigos, ao defender sua exclusão da Bienal de São Paulo pela prática de “apologia ao crime”.  Gil já havia exposto antes em Natal, Recife, Campina Grande e Porto Alegre os mesmos autorretratos em que posa de assassino, entre outros, de Lula e FHC, mas quem liga para isso se não houver censura ao artista?

Muito provavelmente, entre Gabriel, o Pensador, e Gil Vicente, muitos outros artistas mataram presidentes em seus ateliês, estúdios de gravação e livros de poesia sem que ninguém desse a menor bola.  A apologia desse tipo de arte depende sempre de uma estupidez qualquer contra a liberdade de expressão.  Gil Vicente ganhou, nesse sentido, a chancela da OAB-SP.  Tem mais é que comemorar!


Vai com as outras

O brasileiro não sabe o que quer! Teve gente essa semana que assinou manifesto a favor da liberdade de imprensa e contra o golpismo midiático.  Assim não dá!

Programa de índio

A 65ª sessão da Assembleia Geral da ONU, essa semana em Nova York, pareceu um pouco reunião de condomínio residencial:
só foi gente chata!  Celso Amorim deve ter adorado.

Baú da felicidade

Num momento reservado do encontro de quarta-feira no Palácio do Planalto, Lula e Silvio Santos teriam se trancado por 5 minutos para jogar aviãozinho de dinheiro, um no outro, às gargalhadas.

Não há testemunhas!

Filha do Zé Roseana Sarney mandou passar uma borracha no sobrenome em todo o seu material de campanha à reeleição no Maranhão.  Não fosse o bigode, nem a reconheceriam em São Luís como alguém da família.

Sabotagem

A ideia de que tem aloprado por trás dos incêndios em série nas favelas de São Paulo – na sexta-feira mais uma pegou fogo na zona sul – não é tão absurda quanto se imagina.  Pensaram em coisa até pior na cidade essa semana.

O último magro

Ameaçado de não se reeleger em Pernambuco, Marco Maciel
pode fechar no Senado a última vaga ainda ocupada por um parlamentar magro por natureza.  Todos os demais operaram o estômago!

Ô, raça!

Cientistas da Universidade de Utah descobriram um dinossauro com 15 chifres nos EUA.  Só em cabeça de cavalo os americanos
já tinham visto algo igual!

Cheiroso de berço

Lula logo percebeu algo estranho em Márcio Thomaz Bastos ao
reencontrá-lo dia desses, em Brasília.  Papo vai, papo vem, o presidente matou a charada: o ex-ministro da Justiça trocou de perfume.

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