Um Livro Por Semana #37: Mulheres de ontem e de hoje (‘Carta à Rainha Louca’)
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Um Livro Por Semana #37: Mulheres de ontem e de hoje (‘Carta à Rainha Louca’)

'Carta à Rainha Louca', de Maria Valéria Rezende, foi publicado pela Alfaguara; e mais na Babel: Beckett, Christian Dunker e Chimamanda Ngozi Adichie em versão infantojuvenil

Maria Fernanda Rodrigues

26 de dezembro de 2020 | 00h00

Nos 45 do segundo tempo, saiu o prêmio anual de Maria Valéria Rezende. Todos os seus livros mais recentes foram premiados. Primeiro, Quarenta Dias, livro do ano do Jabuti. Depois, Outros Cantos, vencedor do São Paulo e do Casa de Las Américas. Na semana passada, Carta à Rainha Louca (Alfaguara), um romance ambicioso, ficou em terceiro lugar no Oceanos, perdendo para Torto Arado, o livro de Itamar Vieira Júnior que foi superpremiado em 2020, e Visão das Plantas, de Djaimilia Pereira de Almeida, que sai ano que vem pela Todavia.

Ambicioso porque desafiou a autora a escrever um texto que fosse plausível no século 18 e legível hoje. E a história remonta à uma descoberta feita nos anos 1980, quando ela pesquisava a situação da mulher e a vida religiosa no Brasil colonial: três cartas sobre uma mulher acusada de criar um convento clandestino no País.

Não havia mais nada sobre Isabel, então Maria Valéria inventou uma história para ela. No livro, encontramos a personagem em 1789, já no fim da vida, depois de tudo o que passou, presa no Recolhimento da Conceição, em Olinda, à espera, mas sem muita esperança, de um barco que a levará para ser julgada em Portugal. Ela então se põe a contar sua história e o caminho que percorreu até ser esquecida ali. O romance, feminista sem pretender ser, é estruturado em quatro partes – em carta da narradora para Maria, a Louca, entre 1789 a 1792. Ela achava que Maria, por ser mulher, a entenderia.

+ BABEL

Livros em 2021

Há um misto de esperança e desânimo no mercado editorial, como na gente. Livros que sairiam este ano voltam à programação em 2021, e editoras miram em George Orwell, que entra em domínio público em seu auge. Alguns destaques: Dream of Fair to Middling Women, de Beckett (Globo); UmA Biografia da Depressão, de Christian Dunker (Planeta) e Sejamos Todos Feministas, de Chimamanda Adichie (Companhia das Letrinhas).

A coluna sai de férias. Um ano melhor a todos!

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