Um Livro Por Semana #27: O outro, a culpa, a loucura (‘Canção de Ninar’)
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Um Livro Por Semana #27: O outro, a culpa, a loucura (‘Canção de Ninar’)

'Canção de Ninar', de Leila Slimani, foi publicado pelo Tusquets, selo da Planeta; e ainda na Babel: 'Um Belo Diploma', de Scholastique Mukasonga

Maria Fernanda Rodrigues

17 de outubro de 2020 | 03h00

Parece, mas não é spoiler: uma mulher volta mais cedo do trabalho para fazer uma surpresa para os filhos e sua vida nunca mais será a mesma. O menino está morto. A menina não vai sobreviver. As primeiras páginas de Canção de Ninar (Tusquets, 192 págs.; R$ 47,90) são fortíssimas e o livro sobre a babá exemplar que mata cruelmente duas crianças rendeu à escritora franco-marroquina Leila Slimani o Goncourt em 2016 e fama internacional – nesta sexta, 16, ela foi um dos destaques da Feira de Frankfurt.

Crime cometido por Yoselyn Ortega em NY inspirou ‘Canção de Ninar’ (Foto: Andrew Burton/Reuters)

O ponto de partida do romance é um fato real: a história da dominicana Yoselyn Ortega que matou as duas crianças de que cuidava em Nova York, em 2012. Quando o livro saiu aqui, em 2018, ela estava em julgamento. Alegava problemas mentais, mas foi condenada à prisão perpétua.

Ao contar a história dessa família parisiense e da babá, e os capítulos se alternam entre eles, Slimani investiga as diferenças de classe no país que adotou aos 17 anos. Toca ainda na questão da culpa materna e expõe a linha tênue que separa a sanidade e a loucura.

Canção de Ninar é também sobre o quanto sabemos do outro e sobre a impossibilidade de ser bom ou mau o tempo todo. “As pessoas estão tentando fazer o seu melhor, ser boas, ser boas babás. Mas um dia elas podem enlouquecer”, disse a autora no lançamento.

+ BABEL

Memória

Scholastique Mukasonga conquistou o leitor brasileiro com seus livros sobre o genocídio que exterminou sua família em Ruanda. Em novembro, chega às livrarias pela Nós uma nova obra memorialística dela – ‘Um Belo Diploma’. Nele, ela fala mais do pai, que não aparece tanto em ‘Baratas’ e ‘A Mulher dos Pés Descalços’, e também sobre sua luta para conseguir um diploma. Scholastique conta que ao ser mandada para a escola, sua família decidiu que ela sobreviveria.

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