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Um Livro Por Semana #12: O caminho para o outro (‘Lugares Distantes’ e mais)

'Lugares Distantes', de Andrew Solomon, e livros antirracistas; e mais na Babel: Cidinha da Silva e Marguerite Duras

Maria Fernanda Rodrigues

06 de junho de 2020 | 03h00

Andrew Solomon, autor do best-seller sobre depressão O Demônio do Meio-Dia, publicou no Brasil, em 2018, Lugares Distantes (Companhia das Letras) – uma obra em que defende que o ato de viajar pode mudar o mundo.

Não se trata de um manual de turismo mostrando as belezas do s países, e se fosse assim nem caberia aqui, agora. A obra é um convite para conhecer o outro e, conhecendo o outro, e sua realidade, suas lutas e suas dores, combater a intolerância.

O livro traz ensaios e reportagens escritos ao longo de mais de 20 anos e mostra lugares em momentos de transição. União Soviética, Afeganistão, África do Sul, Japão, Senegal, China, Gana, Ruanda, Brasil. Aliás, no texto sobre o Rio, de 2011, vislumbramos uma cidade que se preparava para sediar a final da Copa do Mundo de 2014 e os Jogos Olímpicos de 2016, que tinha o “olhar para o futuro” e vivia uma “florescente economia”. Quando o livro saiu, o Rio, mais sombrio, estava sob intervenção federal.

Se houve melhora depois, portanto, nem sempre é possível dizer. Mas havia a esperança de dias melhores.

O que Solomon aprendeu com isso tudo é que, mesmo que venha o desânimo com promessas não cumpridas e projetos irrealizáveis, não devemos desistir – e cita Gramsci, para quem, em uma revolução, é preciso ter o pessimismo da razão e o otimismo da vontade. Ele explica:

“Racionalmente, sabemos que o que ocorre é um desastre real, mas é um grande desastre com uma solução. Temos que continuar tendo esperança e pensar que conseguiremos encontrar uma solução”.

Aprendeu também que o melhor jeito de conhecer um país é pelo olhar do outro, pelo olhar daqueles que estão refletindo sobre sua sociedade. E que a melhor forma de conhecer o outro é viajando. Você pode substituir o verbo viajar por ler neste momento.

Quer entender as raízes e os efeitos do racismo e discutir os protestos pela morte de George Floyd, de Miguel ou João Pedro? Comece lendo livros de autores negros ou que se debruçam sobre a discriminação racial. Um deles, Não Basta Não Ser Racista: Sejamos Antirracistas, de Robin DiAngelo, acaba de esgotar nas livrarias americanas com o aumento da procura nos últimos dias – é o mais vendido da Amazon. Saiu aqui em março pela Faro. Como Ser Antirracista, de Ibram X. Kendi, também virou best-seller e está disponível pela Alta Books. Djamila Ribeiro lançou no fim do ano Pequeno Manual Antirracista (Companhia das Letras). Tem também Grada Kilomba, com Memórias da Plantação: Episódios de Racismo Cotidiano (Cobogó). E muitos outros. Tem filhos adolescentes? Sugira O Ódio Que Você Semeia (Galera), de Angie Thomas.

 

+ BABEL

Crônicas ressignificadas
‘Oh, Margem! Reinventa os Rios’, de Cidinha da Silva, será relançado em novembro pela Oficina Raquel em edição ampliada – e em e-book e audiolivro. Cidinha é autora de, entre outros, ‘Um Exu em Nova York’ e organizadora de ‘Ações Afirmativas em Educação: Experiências Brasileiras’.

Nas margens de Saigon
O selo Tusquets lança este mês ‘O Amante’, clássico de Marguerite Duras. Vai ser a mesma edição da Cosac Naify, com prefácio de Leyla Perrone-Moisés, mas com novo projeto gráfico.

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