Poetisa chega ao mercado e aposta em novos tradutores e textos inéditos
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Poetisa chega ao mercado e aposta em novos tradutores e textos inéditos

E mais: o novo acervo das bibliotecas estaduais, a criação do Plano Municipal do Livro e Leitura, a Feira da USP chegando, Dublinense fecha negócio inusitado, o novo valor do Prêmio Barco a Vapor, etc.

Maria Fernanda Rodrigues

05 Dezembro 2014 | 19h00

EDITORA
Poetisa chega ao mercado e aposta em tradução de clássicos
bela

A editora Poetisa faz sua estreia neste domingo no mercado editorial com o lançamento, em Florianópolis, de A Bela e A Fera, publicado originalmente em 1757 por Jeanne-Marie Leprince de Beaumont e nunca editado aqui em sua versão integral – geralmente a história é adaptada. A tradução é de Marie-Hélène Catherine Torresta e as ilustrações (ao lado), de Laurent Cardon, francês radicado em São Paulo. A obra traz textos de todos os envolvidos em sua produção e essa deve ser a cara dos próximos lançamentos da editora criada por Cynthia Beatrice Costa e Juliana Lopes Bernardino para, sobretudo, “dar visibilidade à tradução literária e aos tradutores como (re)criadores”. O próximo livro será o clássico infantojuvenil O Coelho de Veludo, inédito no Brasil. Previsto para a segunda quinzena de janeiro, ele foi traduzido pelo paranaense Davi Gonçalves, mestre em literatura de língua inglesa e doutorando em Estudos da Tradução na Universidade Federal de Santa Catarina. As ilustrações e o design são da gaúcha Marcela Fehrenbach – responsável, também, pelo logo da editora.
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Cynthia, tradutora com mais de 50 obras no currículo e também doutoranda em Estudos da Tradução, e Juliana, editora e aluna de Psicologia na Universidade Metodista de Piracicaba, são sócias desde 2008 numa empresa de serviços editoriais e decidiram agora ter a sua própria editora. “Além da linha editorial, queremos trabalhar de maneira mais humana: prazos menos exaustivos, processos mais democráticos e mais delicadeza de forma geral”, conta Cynthia.
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Para as sócias, a atenção à tradução vem da crença de que ela é um ato criativo que merece ser entendido como tal. “Elas serão feitas por estudantes da teoria da tradução e tradutores profissionais. E em todos os projetos, há a preocupação com a tradução e o estilo do tradutor, além de reflexão sobre as estratégias tradutórias”, explica a editora. Quanto às ilustrações dos infantojuvenis, vão procurar fugir do estilo supercolorido e das figuras excessivamente infantis – para que eles interessem leitores de todas as idades.
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A editora começa com traduções de contos adultos e infantis. No prelo, estão, entre outros projetos, uma coletânea de contos marroquinos inéditos e de contos de fada franceses – entre eles, um também inédito do Charles Perrault. Em 2016, devem ser lançados os primeiros romances.

BIBLIOTECA
Acervo eclético
Bibliotecas de 170 cidades paulistas estão recebendo kits com 147 livros e 28 DVDs. O investimento da Secretaria de Cultura é de R$ 500 mil. Entre as obras selecionadas estão O Menino que Vendia Palavras, de Ignácio de Loyola Brandão, O Senhor dos Anéis, de Tolkien, e Cinquenta Tons de Cinza, de E. L. James.

DEBATE
Política pública do livro
Ao longo de 2014, foram realizados mais de 40 encontros para debater a criação de um Plano Municipal do Livro, Leitura, Literatura e Bibliotecas. De terça a quinta, haverá mais um, aberto ao público, no Centro Cultural São Paulo.

FEIRA
Tempo de desconto
E na quarta-feira começa a tradicional Feira da USP, onde quase 150 editoras vendem, até sexta, seus títulos com desconto mínimo de 50% – para terror das livrarias. A Terceiro Nome vai estender a promoção para seu site. E a Patuá, que não participa, está com boa parte de seus títulos por R$ 20 também em sua loja virtual.

INFANTOJUVENIL
Prêmio mais robusto
Em 2015, o Prêmio Barco a Vapor dará ao vencedor do melhor livro (inédito) R$ 40 mil – R$ 10 mil a mais do que neste ano – pelo adiantamento dos direitos autorais. As inscrições estão abertas e vão até 31/1.

DIRETOS
Contos na Indonésia
Um feito inesperado: A Dublinense vendeu os direitos de Contos da Mais Valia e Outras Taxas, de Paulo Tedesco, para a Marjin Kiri, editora da Indonésia que encontrou até um tradutor timorense para verter a obra direto do português. Há outros livros de autores brasileiros lá (Erico Verissimo, Jorge Amado e, claro, Paulo Coelho), mas segundo o editor, eles foram traduzidos a partir de edições estrangeiras.
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A Indonésia será homenageada na Feira de Frankfurt em 2015.
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A obra de Tedesco foi selecionada pelo PNBE, e 35 mil exemplares foram distribuídos para bibliotecas escolares.

ROMANCE
Agualusa na Foz
A Rainha Ginga, romance histórico do angolano Agualusa sobre Ana de Sousa (Ngola), que viveu entre 1583 e 1663, e que é narrado por padre pernambucano, sairá em abril pela Foz – ela comprou ainda os direitos de Nação Crioula, previsto para 2016, com a estreia do filme de Andrucha Waddington.

HOMENAGEM
Café com Rubem Alves
Será inaugurado no dia 17, em Campinas, o Café Bistrô Rubem Alves, com 140 m² e espaço para 88 pessoas. Na abertura, com a presença de Elisa Lucinda, será lançada nova edição de Carpe Diem: As Anotações Essenciais de Rubem Alves (Papirus).

REVISTA
Histórias de vida e terror
A Revista de História da Biblioteca Nacional, nas bancas a partir de hoje, aborda dois temas interessantes: a importância das biografias para o estudo da história e o horror na literatura brasileira – o gênero gótico chegou ao País no século 19 e ganhou espaço em publicações femininas, como o Jornal das Famílias.

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Na semana passada, a Babel falou sobre a recente descoberta, por parte das editoras, do site Lê Livros. Na quarta, publicamos mais uma matéria sobre o assunto, que pode ser lida aqui: Site que oferece livros para download gratuito está ameaçado