Obra sobre imigração e identidade vence prêmio árabe
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Obra sobre imigração e identidade vence prêmio árabe

Maria Fernanda Rodrigues

23 de abril de 2013 | 19h02

Com seu segundo romance – The Bamboo Stalk –, o kuwaitiano Saud Alsanousi venceu hoje o International Prize for Arabic Fiction. O anúncio foi feito em cerimônia em Abu Dabi, na véspera da abertura da Feira do Livro, a ser realizada entre amanhã e a próxima segunda-feira.

Nascido em 1981, ele é o mais jovem entre os vencedores do prêmio criado em 2007 e conta, no livro, a história de José, filho de Josephine, filipina que se muda para o Kuwait para trabalhar como doméstica, apaixona-se pelo filho do patrão e engravida. A criança, rejeitada pelo pai, é devolvida ao país da mãe e só aos 18 anos vai atrás de suas origens. Imigração e racismo são o pano de fundo da obra, lançada pela libanesa Arab Scientific Publishers com o título de Saq al-Bamboo.

“O livro é sobre a dor de um garoto, sobre cultura e identidade. E a busca por identidade é igual em qualquer lugar. Por isso, apesar de a história se passar nesses dois países ela pode despertar o interesse de brasileiros, coreanos, de todos”, contou o autor após a premiação.

Seu título concorreu com outros 132 de escritores de 15 países. Chegaram também à reta final: Sinan Antoon (Iraque), com Hail Mary; Jana Elhassan (Líbano), com Me, She and the Other Women; Mohammed Hasan Alwan (Arábia Saudita), com The Beaver; Ibrahim Issa (Egito), com Our Master; e Houcine El Oued (Tunísia), com His Excellency the Minister. Entre os temas abordados, estavam o extremismo religioso, a intolerância, a corrupção e a figura da mulher no mundo árabe.

Alsanousi, filho de mãe filipina, garante que The Bamboo Stalk não é autobiográfico. A motivação para escrever este livro veio de uma questão que o acompanhava e atormentava. “Estamos sempre vendo os outros por meio de estereótipos e eu não queria que fosse assim.”

Para criar José, passou um tempo no país de origem de seu personagem. “Enquanto eu estava escrevendo, eu era José. De todos os ângulos, eu tinha me tornado um filipino e queria viver e entender o sofrimento das pessoas. Como autor, tentei fazer o leitor sentir a dor do personagem por meio do romance”, disse o tímido escritor.

Galal Amin, presidente do júri, sugeriu que empresas cinematográficas fiquem de olho no livro vencedor já que ele daria um bom filme.

O International Prize For Arabic Fiction tem o apoio da Booker Prizer Foundation e é considerado o equivalente na região ao prestigioso prêmio de língua inglesa. Alsanousi ganhou US$ 60 mil – US$ 10 mil por ter sido finalista (os outros cinco também ganharam) e mais R$ 50 mil por ter vencido – e deve ter o livro traduzido para o inglês em breve. 

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