Mudança no ISBN: Biblioteca Nacional questiona capacidade da Câmara Brasileira do Livro e lamenta perda de R$ 4 milhões anuais
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Mudança no ISBN: Biblioteca Nacional questiona capacidade da Câmara Brasileira do Livro e lamenta perda de R$ 4 milhões anuais

A Fundação Biblioteca Nacional foi responsável pela emissão do ISBN nos últimos 40 anos; CBL responde

Maria Fernanda Rodrigues

19 de dezembro de 2019 | 08h03

Depois do anúncio feito na quarta-feira, 18, pela Agência Internacional do ISBN, e que foi antecipado pela Babel, de que a Câmara Brasileira do Livro assumiria a emissão do ISBN no Brasil, a Fundação Biblioteca Nacional lamentou a não renovação de seu contrato, vigente há 41 anos. Ela fazia esse serviço por meio da Fundação Miguel de Cervantes de Apoio à Pesquisa e à Leitura da Biblioteca Nacional, com sede na própria Biblioteca Nacional, no Rio.

O ISBN é o código que identifica um livro (título, autor, país, editora, formato) e que vem impresso na quarta capa do volume. Custa R$ 22 para fazer um.


Biblioteca Nacional deixa de fazer o ISBN em 28 de fevereiro de 2020 (Foto: Fabio Motta/Estadão)

Em nota, ela disse que a interrupção da parceria da Biblioteca Nacional com a Fundação Miguel de Cervantes acarretará a descontinuidade do apoio para a realização de projetos culturais, como exposições, cursos, prêmios e ações de proteção ao patrimônio físico da FBN. “São recursos extras ao orçamento, que foram até hoje importantes à instituição, oitava maior Biblioteca do mundo, que vem operando como agência brasileira do ISBN no Brasil desde 1978, portanto, há 41 anos.” Mais adiante na mesma nota, disse que o calendário será mantido – que estão buscando parcerias, mas que o orçamento anual está garantido.

Ainda segundo a nota, os valores arrecadados anualmente com o serviço são da ordem de R$ 4 milhões.

A Fundação Biblioteca Nacional questiona ainda a capacidade da CBL, uma entidade privada que reúne editoras, livrarias e distribuidoras, de realizar o serviço, o risco para a qualidade do atendimento e o aumento no preço. “Não há garantia da excelência operacional da prestação do serviço por terceiros tecnicamente desconhecidos, já que nenhuma outra instituição ou empresa operou antes o ISBN no Brasil”, diz a nota.

Quem vai prestar esse serviço para a CBL a partir de 1.º de março de 2020, como a Fundação Miguel de Cervantes fazia para a Biblioteca Nacional, será a Metabooks, uma empresa alemã ligada à Feira do Livro de Frankfurt que já está presente no Brasil, depois de firmar uma parceria com a própria Câmara Brasileira do Livro, com sua plataforma de gerenciamento de metadados. Na Alemanha, ela é a responsável pela emissão do ISBN, além de oferecer o mesmo serviço de metadados.

Sobre a qualidade do serviço que vem sendo oferecido pela Biblioteca Nacional, o mercado diz que anda tudo bem. Mas anos atrás, por causa de uma greve de servidores, os editores tiveram que esperar cerca de 60 dias pelo ISBN – coisa que, às vezes, leva horas para emitir.

A mudança foi anunciada agora, mas já vem sendo tratada há muito tempo. “Desde o início do ano, quando foi avisada da possibilidade de cancelamento do contrato, a Fundação Biblioteca Nacional vem fazendo tratativas no sentido de mostrar a excelência do serviço prestado, por meio da Fundação Miguel de Cervantes de Apoio à Pesquisa e à Leitura da Biblioteca Nacional, e a importância para o apoio de suas atividades culturais dos valores arrecadados, em torno de R$ 4 milhões por ano”, diz a nota

A instituição tem um novo presidente, Rafael Nogueira, desde o dia 6 de dezembro.

A resposta da Câmara Brasileira do Livro

Também em nota enviada à coluna, Vitor Tavares, presidente da CBL, disse a há muito tempo estuda a possibilidade de assumir o serviço de emissão de ISBN no Brasil e que em setembro de 2018 manifestou o interessa à Agência Internacional do ISBN.

“A CBL entende que o serviço é fundamental para o setor de livros. A decisão de solicitar a gestão do ISBN foi tomada após criteriosa análise de organizações que assumem esta tarefa em diversos países, tais como Inglaterra, Alemanha e Espanha. Também avaliamos uma série de tecnologias que podem proporcionar um serviço fácil e mais ágil. A Metabooks é uma das empresas que a CBL avalia para uma eventual parceria”, diz a nota.

A entidade disse ainda que não há como mensurar quais serão os impactos financeiros para a instituição, e que está focada, neste momento, em “desenvolver e implantar uma solução que ofereça ao mercado as melhores soluções e serviços relacionados ao ISBN”. A CBL garantiu que o atual preço do ISBN será mantido para todos os usuários do serviço, associados ou não à CBL.

(Atualizada às 9h26)

 

 

 

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