Mercado editorial encolhe mais de 20% em três anos, revela Fipe
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Mercado editorial encolhe mais de 20% em três anos, revela Fipe

Segundo a Pesquisa Produção e Venda do Setor Editorial Brasileiro, que analisou o desempenho das editoras em 2016, o mercado registrou decréscimo real de 5,2% em comparação com 2015 - isso, apesar do aumento do preço do livro

Maria Fernanda Rodrigues

17 Maio 2017 | 12h01

mercado editorial

(Foto: Rafael Arbex/Estadão)

Sem nenhum fenômeno de vendas e acompanhando a conjuntura nacional, o mercado editorial brasileiro registrou, mais uma vez, retração. O crescimento nominal em 2016 foi de 0,74%, o que representa decréscimo real de 5,2% descontada a inflação do período. Apesar de negativo, o dado é um pouco mais animador que o de 2015, quando o decréscimo real foi de 12,6%. Em 2014, ele ficou em 5,1%. Mas, somando tudo, o resultado indica um encolhimento de de 22% em termos reais. Os dados referentes ao desempenho das editoras no ano passado constam da Pesquisa Produção e Venda do Setor Editorial, feita pela Fipe para a Câmara Brasileira do Livro (CBL) e para o Sindicato Nacional de Editores de Livros (Snel), e apresentada nesta quarta-feira, 17.

“Em 2016, tivemos a tempestade perfeita. Abrimos o ano com a inflação de 10,5% e com 12 milhões de pessoas desempregadas, tivemos a votação do impeachment, a troca de governo, um governo que começou com muito pouca representatividade, mas que vai tentando fazer as reformas, a Olimpíada, os escândalos políticos. Foi um ano muito difícil para a sociedade brasileira e a indústria do livro sofreu muito. Ao mesmo tempo, não tivemos nenhum fenômeno que substituísse o do ano anterior e acabamos apresentando uma queda muito expressiva”, comenta Marcos da Veiga Pereira, presidente do Snel, que ressalta, ainda, que 2015, por causa da inflação, conseguiu ser pior que 2016. Foi, aliás, o pior ano desde 2002.

O fenômeno a que Pereira se refere é o do livro de colorir. Na pesquisa, eles entram como livros de arte e, em 2015, foram impressos 7,1 milhões de exemplares desse tipo de obra. Em 2016, esse número caiu para 757 mil exemplares.

O mercado editorial brasileiro é estimado em R$ 5.269.973.133,98. As compras governamentais melhoraram o desempenho geral apontado pelo levantamento. Em 2016, houve um aumento nominal de 13,7% no faturamento das editoras com vendas para órgãos governamentais, que ficou em R$ 1.397.462.587,61. Vale lembrar que compras do Plano Nacional do Livro Didático são sazonais e os valores variam de acordo com as séries que estão sendo contempladas e o número de alunos matriculados. Já o Programa Nacional de Bibliotecas Escolares, responsável pela aquisição de uma média de 11 milhões de exemplares de obras literárias por ano e que passou batido por 2015, registrou vendas tímidas da ordem de R$ 24 milhões e 4,6 milhões de exemplares.

Quando analisamos as vendas apenas para o mercado, o resultado piora: o crescimento nominal foi negativo em 3,3%. Em termos reais, juntando 2016 e 2015, a queda acumulada passa de 20%. Os subsetores Científico, Técnico e Profissional (-10,4%), Obras Gerais (-4,8%) e Religiosos (-4,6%) foram os que registraram quedas mais acentuadas em seu faturamento. O mesmo ocorre com os exemplares vendidos – e, aqui, Didáticos, o único subsetor que ficou com o faturamento no azul em 2016, também registra queda (-5,5%). O pior desempenho foi do CTP (-17,1%), seguido pelo Religiosos (-12,7%) e Obras Gerais (-11%).

Segundo Pereira, o desemprego foi a principal causa da crise enfrentada pelas editoras de livros científicos, técnicos e profissionais iniciada em 2015. Já o segmento de obras gerais sofre com a concorrência. “Competimos pelo tempo das pessoas com os smartphones, apps, mídias sociais, com o Netflix, etc. A leitura precisa voltar a estar presente no dia a dia”, comenta o editor.

Preço. O desempenho das editoras foi pior, mas o preço médio do livro (e aqui não quer dizer necessariamente o preço para o consumidor, e sim o quanto as editoras ganham vendendo para os mais diversos canais) aumentou 8,71% – de R$ 15,72 em 2015 para R$ 17,09 em 2016.

Produção. Foram lançados, em 2016, 17.373 novos títulos, um aumento de 0,53% em relação a 2015, quando foram registrados 17.282 novos ISBNs, e foram feitas 34.446 reimpressões, ante as 35.145 de 2015. No total, foram produzidos 51.819 títulos no Brasil em 2016, e 52.427 em 2015. A queda maior foi no número de exemplares impressos: de 87,5 milhões para 80 milhões no que diz respeito aos lançamentos e de 359 milhões para 347 milhões no caso de reimpressões, totalizando 427.188.098 milhões de exemplares em 2016 – em 2015, o número ficou em 446.848.572 milhões. Prova de que o mercado está mais cauteloso.

A maior queda foi no subsetor de obras gerais, que produziu 101.983.800 de exemplares em 2016 – decréscimo de 9,6% em relação ao ano anterior (112.814.417). Na sequência aparecem os subsetores CTP, com -7,58% (32.773.992 em 2016 e 35.461.046 no ano anterior) e Religioso, com 6,96% (de 77.358.173 para 71.971.904).

Canais de comercialização. As livrarias continuam sendo o principal canal de venda das editoras consultadas, representando 60% do faturamento das vendas para o mercado. Na sequência aparecem distribuidores (20,3%), porta a porta e catálogo (5,8%), livrarias exclusivamente virtuais (2,25%) e outros canais com menor representatividade.

Digital. Esta edição da pesquisa não contemplou os livros digitais. No início de agosto, no entanto, deve sair o resultado de um censo que está sendo feito pelas entidades do livro.