Mais de 5 milhões de brasileiros compraram a trilogia Cinquenta Tons de Cinza
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Mais de 5 milhões de brasileiros compraram a trilogia Cinquenta Tons de Cinza

Filme deve impulsionar a venda dos livros da série de E. L. James

Maria Fernanda Rodrigues

12 de fevereiro de 2015 | 03h00

James

Ao mesmo tempo endeusada e criticada, a série Cinquenta Tons de Cinza fez história no mercado editorial internacional e gerou polêmica entre movimentos contra a violência doméstica, religiosos de todo tipo de crença e juízes – em Macaé, em 2013, foi dada uma ordem para recolher todos os “livros impróprios para menores” que não estivessem em embalagens lacradas. Para os leitores de Sade e Bataille, o conteúdo da série foi motivo de piada. Para os de Nicholas Sparks e de outros romances açucarados, um algo a mais. Fato é que a trilogia virou um fenômeno, com mais de 100 milhões de exemplares comercializados no mundo todo e 5,5 milhões no Brasil – e muita gente pegou carona nesse sucesso.

A indústria de artigos eróticos, por exemplo, deve muito à E. L. James. O próprio mercado editorial também, já que o gênero virou pop. Houve gente tentando imitar e aproveitando a onda (Cinquenta Tons do Sr. Darcy, uma paródia em que os protagonistas de Jane Austen em Orgulho e Preconceito deixam de lado o recato, Cinquenta Tons de Prazer, Cinquenta Tons de Êxtase, etc), ou tirando o livro da gaveta. No Brasil, fez sucesso a série Toda Sua, de Sylvia Day, com números mais modestos – 100 mil exemplares –, mas que a levaram às listas de mais vendidos. E houve gente tirando sarro. Em Fifty Shades of Chicken um frango assado aparece atado na capa – há instruções, claro, de como fazer o prato.

Para ter a trilogia no catálogo, a Intrínseca não pagou pouco. Comenta-se que a oferta foi de US$ 750 mil – um valor alto para os padrões do mercado. A Companhia das Letras teria ficado em segundo lugar no leilão, e levou Sylvia Day depois (outras séries foram publicadas aqui pela editora e por outras casas). “Sentimos que Cinquenta Tons de Cinza era uma série com uma ideia diferente, com um enredo capaz de prender a atenção do leitor”, diz o editor Jorge Oakim, que não lançou mais nada do gênero desde então. “Tivemos oportunidade de publicar outras séries, mas já tínhamos a mais legal de todas. Não surfamos na própria onda. Deixamos a concorrência surfar.”

Os livros foram lançados aqui em 2012. Naquele mesmo ano, o primeiro volume ficou no topo da lista de mais vendidos do Publishnews, desbancando Ágape, o best-seller do padre Marcelo Rossi, e os outros dois ficaram em 2.º e 4.º. Os volumes perderam força nos anos seguintes, com o bispo Edir Macedo, o terceiro colocado de 2013, e seu Nada a Perder (volumes 1, 2 e 3) ganhando espaço nas livrarias. No ano passado, os livros de E. L. James sequer apareceram no ranking geral dos 20 mais vendidos feito pelo site especializado em mercado editorial.

O bispo, aliás, publicou um post em seu blog na terça-feira, dia 10, dizendo que o livro arrasta seus leitores para um tipo de inferno emocional. “E agora que o filme Cinquenta Tons de Cinza já está vendendo milhões de bilhetes mesmo antes de sua estreia, esses mesmos demônios estão preparados para invadir as almas de milhões de pessoas. Fora a vantagem que você tem de patrocinar a indústria mundial de perversão demoníaca”, escreve. E por aí vai.

O filme que estreia agora deve dar novo impulso à série – e para ajudar minilivros com os primeiros capítulos serão distribuídos nos cinemas e uma grande campanha de marketing foi preparada pela editora e pela Universal Pictures. Segundo a Nielsen, que também acompanha as vendas nas livrarias, na semana em que o primeiro trailer foi divulgado, houve um pico de venda, com quase 13 mil volumes comercializados no País. O fenômeno se repetiu, com menor intensidade, no segundo trailer, no Black Friday e no Natal.

A ver se o filme fará o mesmo o sucesso do livro, e se o livro voltará a ter o impacto que teve quando foi lançado.

Quatro perguntas para Jorge Oakim, publisher da Intrínseca

Por que apostou nela?
Porque sentimos que era uma série de livros com uma ideia diferente, com um enredo capaz de prender a atenção do leitor. As pessoas que abrem o livro e não conseguem parar de ler. O desempenho da trilogia no mercado está aí para confirmar isso.

Muitas autoras e editoras pegaram carona no fenômeno, mas nenhuma série foi tão bem-sucedida como esta. No que ela se difere das que vieram depois?
Ela foi a primeira série a estourar. As outras que se seguiram não conseguiram superá-la por um motivo simples: Cinquenta Tons foi definitivamente a melhor até agora.

Por que não lançaram outros livros do gênero?
Tivemos oportunidade de publicar outras séries depois, mas já tínhamos a mais legal de todas. Então, por quê? É que não surfamos na própria onda. Deixamos a concorrência surfar.

Os livros estão nas listas de mais vendidos desde que foram lançados, mas estão perdendo a força. Acha que este é um fenômeno literário ou eles vieram para ficar?
Esperamos que com o filme os livros voltem a ter a força que tiveram quando foram lançados. Cinquenta Tons é sem duvida nenhuma um fenômeno literário sem precedentes, que ainda vai durar mais algum tempo – e que talvez fique. Mas não dá para prever se vão ficar.

Vendas no Brasil:
Cinquenta Tons de Cinza: 2,5 mi
Cinquenta Tons de Liberdade: 1,5 mi
Cinquenta Tons Mais Escuros: 1,5 mi

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