Livro aborda as lições de tortura dadas pelos franceses aos militares brasileiros na ditadura
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Livro aborda as lições de tortura dadas pelos franceses aos militares brasileiros na ditadura

E mais na Babel: 'K.', de Bernardo Kucinski, e 'Meu Querido Canibal', de Antonio Torres, saindo na França, mais livro de colorir, original em um tweet e uma nova revista literária a caminho

Maria Fernanda Rodrigues

22 Abril 2016 | 22h22

NÃO FICÇÃO
As lições do professor de tortura durante a ditadura

ditadura militar

O senhor da foto acima, o general Paul Aussaresses (1919 – 2013), lutou na Guerra da Argélia e, entre 1973 e 1975, foi adido militar francês no Brasil. Um título de fachada. O que ele fez, mesmo, durante o período que passou aqui, quando foi muito próximo do general Figueiredo, foi ensinar aos militares brasileiros as técnicas de tortura usadas em Argel. A jornalista Leneide Duarte-Plon, coautora de Um Homem Torturado, sobre Frei Tito, volta-se agora para o lado do torturador e lança, em junho, pela Civilização Brasileira, Da Argélia ao Brasil – Como os Militares Franceses Exportaram os Esquadrões da Morte e o Terrorismo de Estado. Resultado de entrevistas feitas com Ausseresses, o livro traz documentos inéditos e mostra as semelhanças entre as mortes de Vlado e Rubens Paiva com crimes cometidos contra jovens independentistas na ex-colônia francesa.

TRADUÇÃO
Colonização e repressão
Bernardo Kucinski lança, no fim de maio, em Paris, a versão francesa de K., seu romance que narra a busca de um pai pela filha desaparecida durante a ditadura militar. A obra, que remete à história da irmã do autor, sairá pela Vent d’Ailleurs e será debatida, com leitores franceses, numa livraria e na Sorbonne. Essa é uma das atividades pós-Printemps Littéraire, iniciativa de Leonardo Tonus que levou cerca de 30 escritores brasileiros a Paris em março.
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Quem também estará por lá é Antonio Torres. Ele lança Meu Querido Canibal pela Petra Editions. As atividades voltam em outubro, com a presença de Antonio Carlos Secchin.

SEMINÁRIO
Caio Prado em debate
Caio Prado Júnior – Uma Biografia Política já rendeu dois convites a seu autor. Na Conferência Materialismo Histórico, da Universidade York (Toronto, 13 a 15/5), Luiz Bernardo Pericás discute reforma, revolução e socialismo na obra e na vida de Caio Prado. Em julho, ele apresenta, em Havana, seminário sobre o pensamento do autor.

POLICIAL
Fim da trilogia
Depois de O Verão das Bonecas Mortas e de Os Bons Suicidas, o espanhol Toni Hill apresenta em maio, também pela Tordesilhas, Amantes de Hiroshima, que encerra a série protagonizada pelo inspetor Héctor Salgado.

PASSATEMPO
O retorno

livro para colorir

Febre em 2015, os livros de colorir ajudaram muitas editoras a ter um ano pelo menos razoável. Vale lembrar que Jardim Secreto e Floresta Encantada foram, respectivamente, o primeiro e o segundo livro mais vendidos naquele ano. Pois a Sextante, editora de maior sucesso no gênero, vai tentar mais uma vez. Até o fim do mês, chega às livrarias Pinte-me Se For Capaz, do jovem autor americano Peter Deligdisch. A julgar pelos detalhes (acima), não vai ser lá uma atividade muito relaxante.

ORIGINAL
Resuma, se for capaz
A Belas-Letras criou um jeito novo de receber originais. Agora, o autor terá que contar, em 140 caracteres, o que há de especial em seu livro.

REVISTA
A resistência
Chama é o nome da revista literária idealizada pela jornalista mineira Flávia Denise e abraçada por diversos escritores. Com periodicidade semestral, ela trará artigos sobre a arte de escrever, ferramentas para escritores, contos inéditos, entrevistas e ilustrações. O lançamento será dia 30, em BH.
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A revista terá, também, uma versão digital que será vendida na Amazon. E parte do conteúdo poderá ser lido no site da publicação.