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Livraria Saraiva perde de novo na Justiça e vai ter que devolver 50% do estoque consignado de 21 editoras

Um grupo de 21 editoras ganhou o direito de reaver os livros que estão nas lojas da Saraiva e no depósito em Cajamar

Maria Fernanda Rodrigues

15 de maio de 2020 | 09h53

Em abril, um grupo de 21 editoras, incluindo algumas das principais do País, entrou com pedido na Justiça para que a Livraria Saraiva devolvesse parte dos livros que haviam sido consignados, uma prática tradicional no mercado editorial, e não vendidos.

Companhia das Letras, Sextante, Planeta, Melhoramentos, Globo, Nova Fronteira, Intrínseca, Gente e outras para quem a Saraiva, no momento do pedido de recuperação judicial devia R$ 138 milhões, queriam reaver cerca de um milhão de exemplares e conseguiram uma decisão favorável no dia 27 de abril. A Saraiva recorreu, alegando que sem esse estoque seu negócio, que já vai mal, fica ainda mais complicado. Na quarta-feira, 13, inclusive, ela anunciou o fechamento de sete lojas e deixou em aberto a possibilidade de fechar outras.

livraria saraiva

(Foto: Saraiva)

A Justiça novamente ficou do lado das editoras, rejeitando, no dia 9, o pedido da rede de livrarias. Segundo a decisão do desembargador Cesar Ciampolini, da 1.ª Câmara de Direito Empresarial, a Saraiva vai ter que devolver metade do estoque consignado que está nas lojas e metade do que está guardado em seu depósito, em Cajamar.

A decisão envolvia, também, a possibilidade de as editoras retirarem algo como 200 mil exemplares ou um número assim expressivo no começo desta seamana e, a partir do dia 18, permitir a retirada semanal de exemplares. A questão toda deve ser resolvida num prazo máximo de 8 semanas a contar a partir de 11 de maio. As editoras ficam responsáveis pela logística.

“O quadro (agravador pela pandemia do coronavírus) é gravíssimo e à Saraiva deve ser dada alguma oportunidade de reconstruir o seu plano de recuperação, mas, ao mesmo tempo, é imperativo que as editoras igualmente possam atenuar os efeitos da crise associados à impossibilidade de a Saraiva vender na quantidade inicialmente projetada”, diz o desembargador em sua decisão.

Este é mais um revés sofrido pela rede de livrarias Saraiva. Além do fechamento das livrarias, ela suspendeu a operação do seu marketplace entre junho e agosto e registrou prejuízo de R$ 14,4 milhões em março – uma queda de 61% em comparação com o mesmo período de 2019.

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