Homenagem a Dante e ao ‘Charlie’ marca início da editora Nós
As informações e opiniões formadas neste blog são de responsabilidade única do autor.

Homenagem a Dante e ao ‘Charlie’ marca início da editora Nós

E mais na Babel: novos livros de Thiago de Mello e Hélio Pólvora, coletânea digital de crônicas de Sérgio Augusto; infantil de Sophia de Mello Breyner Andresen, etc.

Maria Fernanda Rodrigues

27 de fevereiro de 2015 | 20h57

MERCADO
Homenagem a Dante e ao ‘Charlie’ marca início da editora Nós

Pags-151-152A Editora Nós, de Simone Paulino, ex-Dsop, faz sua estreia em março com três lançamentos interessantes – e já internacionais. Eu Sou Favela, o primeiro, será lançado dia 21, no Salão do Livro de Paris, que homenageia o Brasil. Trata-se da versão em português de Je Suis Favela, com textos de nove autores – como Ferréz e João Anzanello Carrascoza. O segundo, Apocalipse Nau, será apresentado dia 28, na Primavera Literária Brasileira, na Sorbonne, com debate entre Eloar Guazzelli, o autor, e um cartunista do Charlie Hebdo. No livro (acima), que tem o formato de um moleskine, o autor retrata o impacto que o ataque à publicação satírica teve sobre ele. O terceiro será A Divina Jogada, com texto de José Santos e desenho também de Guazzelli. O lançamento marca os 750 anos de Dante Alighieri e ações estão previstas para a Feira de Bolonha.

POESIA
Canção do exílio
Thiago de Mello, recém-homenageado com o título de membro de honra da Academia de Letras da Romênia, lança, entre março e abril, pela Global, Acerto de Contas. São mais de 70 poemas escritos durante o exílio – só a última das cinco partes é mais recente e foi feita como uma espécie de balanço literário. Leia A Terra Traída abaixo:

Alma inflamada, minha pátria
padece em suas artérias esgarçadas.
A perda da ética,
doença de contágio vertical,
se alastra pelo sangue da nação
desprotegida pela indiferença.

Pergunto por que
nunca se mentiu tanto no Brasil?
A verdade se encolhe, acanhada
de mostrar a ferida do seu corpo.

A tal ponto esta terra traída
se desfez dos anticorpos da vergonha,
que não percebe os sinais de sua ruína,
a queimadura já cobre a pele do sonho,
estremece os esteios da esperança.

As mais belas virtudes humanas,
enraizadas pelos séculos na alma da raça,
valores mais poderosos do que leis,
guardiãs da beleza do convívio

– delicadeza,
bondade,
respeito,
retidão,
decência, mão solidária
sinceridade,
ternura,
respeito, solicitude,
confiança –

todas ameaçadas de extinção,
como certos pássaros da floresta.

A esperança está na flama
que nunca se apaga
no coração dos que perseveram.

********
Advertência:
quando queimam a mata,
enlouquecidos de pavor,
os pássaros se esquecem dos seus cantos.

MEMÓRIA
Lembranças do contista
Tanques Cercavam o Catete, de Hélio Pólvora, sai pela Casarão do Verbo em abril. As histórias se passam no Rio e em São Paulo a partir dos anos 1950. Em maio, o autor é celebrado no Festival Nacional de Conto.

CRÔNICA
Cinema no jornal
Mais de 60 crônicas de Sérgio Augusto sobre cinema, publicadas no Estado, serão reunidas no e-book O Colecionador de Sombras, que a e-galáxia lança em abril. A organização é de Tiago Ferro e o prefácio de Paulo Roberto Pires.

ROMANCE
Meio século no Irã
Duas vezes banido no Irã – mas agora um best-seller lá –, O Livro do Destino será publicado aqui pela Bertrand em maio. A história da socióloga e psicóloga Parinoush Saniee acompanha uma mulher que vive, por 50 anos, as agruras impostas pela sociedade repressora de seu país.

INFANTIL
A fada de Sophia
sophia
Lançado originalmente em 1958, A Fada Oriana, de Sophia de Mello Breyner Andresen (1919-2004), ganha ilustrações de Veridiana Scarpelli na edição que a Cosac Naify manda para as livrarias em julho. Uma lição aprendida pela fadinha: plantas, bichos e homens são solitários e frágeis e o mundo não sobrevive sem os cuidados do amor.

ESTREIA
Vida na periferia
O livro Capão Pecado, de Ferréz, inspirou o advogado Humberto Braga a escrever o romance autobiográfico Ai de Ti, Capão Redondo!, com lançamento em abril pela Ofício das Palavras. A obra narra um dia na vida de Joca, morador de rua que viveu o auge dos anos 60/70, teve banda de rock e foi hippie. Baiano, Braga chegou a SP pequeno e viveu na periferia.

BEST-SELLER
O novo ‘Banana’
A V&R mandou imprimir nada menos que 400 mil exemplares de Caindo na Estrada, o 9.º volume da série Diário de Um Banana, de Jeff Kinney, que sai em abril.

*******

Saio de férias hoje. Continue acompanhando a Babel no portal Estadão. Até a volta!

Tudo o que sabemos sobre:

e-booke-galáxiaEloar GuazzelliJeff Kinney

Comentários

Os comentários são exclusivos para assinantes do Estadão.

Tendências: