Gilberto Gil faz defesa apaixonada da realização da Copa no Brasil: ‘Sonho com isso desde os oito anos’
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Gilberto Gil faz defesa apaixonada da realização da Copa no Brasil: ‘Sonho com isso desde os oito anos’

Maria Fernanda Rodrigues

04 de julho de 2013 | 09h02

Para não dizer que não falou de futebol, Gilberto Gil, que já tinha brincado com o público no início do seu show na 11.ª Flip fazendo referências às recentes manifestações populares – as pessoas se agitaram porque não conseguiam ouvir bem do lado de fora da tenda, e Gil não entendia o que era que eles gritavam e então perguntou se a queixa deles era clara ou difusa como a do povo nas ruas -, voltou a conversar com as pessoas enquanto se encaminhava para o fim da apresentação. Dessa vez, a reivindicação era dele, e Gil fez uma defesa apaixonada da realização da Copa do Mundo no Brasil: “Sonho com isso desde os oito anos”, disse. Foi quando o Brasil perdeu para o Uruguai, e Gil, menino, ficou traumatizado. Em 1982, outra derrota e outra tristeza.

“Fiquei desejando, então, que a gente tivesse uma copa no Brasil, que a gente pudesse ver tudo aquilo. Compreendo claramente as queixas do povo preto, dos negros dessa terra, que ficam impossibilitados de chegar ao estádio pelos preços exorbitantes.” Gil falou sobre “a regência do capitalismo internacional e o padrão Fifa” e disse que essas são coisas contra as quais os povo deve, sim, se manifestar.

Ele lembrou que os ingressos começam a ser vendidos no dia 19 de julho e sugeriu que as pessoas se unissem para comprar esses ingressos. “Por que as pessoas simples do Brasil não se organizam para comprar 20, 30 mil ingressos para os jogos? É uma coisa possível. Se organizem, fundem uma instituição, uma ONG que vai cuidar de comprar esses ingressos e vendê-los a preço populares em módicas prestações. Mas aí podem dizer: ‘Não, mas é dever do Estado nos proporcionar condições de competir de igual para igual com essa classe média emergente, e deveríamos ter os ingressos mais baratos.’ A classe média quer se livrar dos pobres, mas não vai se livrar assim tão fácil não. Nós vamos competir capitalisticamente com eles.”

Gil disse que se ninguém se agilizar, ele vai tomar a iniciativa. “Vou juntar uma turma para comprar uns ingressos baratos para os negos poderem ver o jogo”, disse.

O músico ainda está em Paraty. Hoje, ele participa de um debate com Marina de Mello e Souza às 14h30 sobre o tema Culturas Locais e Globais.

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