Coletânea de contos sobre futebol é lançada hoje em SP
As informações e opiniões formadas neste blog são de responsabilidade única do autor.

Coletânea de contos sobre futebol é lançada hoje em SP

Maria Fernanda Rodrigues

06 de fevereiro de 2014 | 14h28

Estádio do Pacaembu, SP, 1941 (Thomaz Farkas/Acervo MIS)

Publicado em alemão em 2013, quando o Brasil foi homenageado na Feira do Livro de Frankfurt, o livro Entre as Quatro Linhas (Dsop, 192 págs., R$ 29,90) ganha agora edição em português. Organizada por Luiz Ruffato, a coletânea de contos sobre futebol conta com a participação de 15 escritores, entre os quais Ronaldo Correia de Brito, Eliane Brum, Flávio Carneiro, André de Leones, Adriana Lisboa e Cristovão Tezza. O lançamento será hoje, às 19 h, no Museu do Futebol (Praça Charles Miller s/n.º, tel. 3664-3848).

Confira a relação dos textos e dos autores:

Casquinha não era o que pensávamos (Mário Araújo)
3x futebol (Fernando Bonassi)
Magarefe (Ronaldo Correia de Brito)
Raimundo, o dono da bola (Eliane Brum)
Meu pequeno amigo cubano (Flávio Carneiro)
Mas o que é que eu tenho que fazer? (André de Leones)
Um dia, uma camisa (Tatiana Salem Levy)
O Sucesso (Adriana Lisboa)
Cemitério clandestino (Ana Paula Maia)
Quatro linhas (Tércia Montenegro)
Domingo no Maracanã (Marcelo Moutinho)
O Filho negro de Deus (Rogério Pereira)
Reverso do jogo (Carola Saavedra)
A história do futebol (André Sant’anna)
Uma questão moral (Cristovão Tezza)

Leia um trecho de Domingo no Maracanã, de Marcelo Moutinho:

(…)

A principal dúvida de Jorge era saber que camisa usar no dia da visita. A da Seleção Brasileira, que já estava puída, a do Fluminense, que era nova e além de tudo do seu time, ou a do América, para agradar o pai.

Acabou se decidindo pelo América.

Adolfo não abriu a guarda, mas gostou quando viu o filho sair do quarto com a blusa toda vermelha.

– Vamos de Metrô.

O Metrô seria outra estreia para Jorge. Morador de Madureira, ele não costumava sair muito do bairro. De casa para a escola, que ficava em Piedade, bem perto, e da escola para casa. Sempre de ônibus. Quando queria visitar os amigos, ia a pé mesmo. Todos viviam pelos arredores.

Às vezes, o pai o levava ao Polo 1, uma galeria chique na Estrada do Portela. Ou para ver os bombeiros, debaixo do viaduto Negrão de Lima, simulando salvamentos. Mais raramente, ao cinema no Madureira Shopping.

Jorge ainda não podia andar sozinho na rua.

– Só quando fizer doze anos, o pai repetia.

Primeiro tempo

Depois do café com leite preparado pela mãe, Jorge e o pai seguiram para o ponto de ônibus da Rua Carvalho de Souza. A manhã principiava. Com medo das filas, Adolfo queria chegar cedo ao estádio. Primeiro dia aberto, coisa e tal.

A mãe teve o cuidado de preparar sanduíches de apresuntado para os dois. Fez um pequeno embrulho, com os sanduíches e refresco de maracujá.

– Não deve ter nada aberto lá, ainda tem obra acontecendo.

Quando chegaram à estação do Metrô, Jorge pensou em perguntar ao pai sobre a Copa de 50. Mas desistiu. O medo de estragar um dia tão especial o travou.

– Pai, me leva ao Fla x Flu?

– Nem pensar.

– Mas é decisão do campeonato.

– Por isso mesmo. Vai estar lotado, sempre tem briga.

– Mas o Sérgio vai. O Anderson também. E o Jonas.

– Se os outros pais são irresponsáveis, não posso fazer nada.

– Mas pai… O Sérgio falou que quando está muito cheio é que é legal. A torcida começa a pular, a gente sente o chão vibrando.

(…)

 

 

Tudo o que sabemos sobre:

Luiz Ruffato

Comentários

Os comentários são exclusivos para assinantes do Estadão.