Em livro, autores revelam os bastidores da criação de suas obras
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Em livro, autores revelam os bastidores da criação de suas obras

Lançamento de 'Ficcionais 2 – O Ato de Forjar Seus Mundos' será nesta segunda-feira, 27, na Blooks, em São Paulo, com debate

Maria Fernanda Rodrigues

27 de junho de 2016 | 16h13

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Maria Valéria Rezende comenta o processo de criação de ‘Quarenta Dias’ (Foto: Adriano Franco/Divulgação)

“Sim, seria um livro escrito ao som de gemidos e de soluços Ou uma narrativa sóbria, técnica, glacial? Ponderei muito antes de escrever O Senhor Agora Vai Mudar de Corpo (Record), meu romance em que trato do AVC que sofri em 2010.” Assim começa Com Amor, Mas Sem Lágrimas e Gemidos, texto escrito por Raimundo Carrero para o livro Ficcionais 2 – O Ato de Forjar Seus Mundos (Cepe Editora), que será lançado nesta segunda-feira, 27. Mais adiante, ele continua: “Já em casa, dias depois, procurei usar o micro, mas meu corpo não se sustentava sentado durante muito tempo e caía. Minha mulher, Marilena, comprou um laptop e consegui, com esforço, escrever as primeiras palavras. Algo profundamente doloroso e sem agilidade: uma palavra a cada meia hora”.

São mais de 30 textos em que escritores brasileiros narram o processo de criação de suas obras – uma das grandes curiosidades dos leitores. Foi a coluna Bastidores, criada em 2010 e publicada no Suplemento Literário de Pernambuco, que serviu de inspiração à obra organizada pelo jornalista Schneider Carpeggiani. O primeiro volume foi lançado há três anos.

Neste novo volume, há textos de autores experientes, como Maria Valéria Rezende, João Almino, Sérgio Sant’Anna e Silviano Santiago, e de outros ainda no início de carreira, como Débora Ferraz e Micheliny Verunschk, vencedoras no ano passado do Prêmio São Paulo de Literatura na categoria autor estreante com menos e mais de 40 anos, respectivamente. Elas comentam o processo de produção de Enquanto Deus Não Está Olhando (Record), que rendeu a Debora, também, o Prêmio Sesc de Literatura, e Nossa Teresa – Vida e Morte de Uma Santa Suicida (Patuá), primeiro romance da poeta Micheliny.

No artigo de Maria Valéria Rezende, vencedora do Prêmio Jabuti de melhor romance e Livro do Ano de Ficção, acompanhamos as histórias por trás de Quarenta Dias (Alfaguara) – a história de uma mulher que diante da tarefa imposta pela filha de largar sua vida e ajudar a cuidar do neto dá uma surtada e passa alguns dias perambulando pelas ruas. A autora confessa que a origem do romance é incerta, mas revela uma história vivida que poderia ter sido o embrião deste seu livro premiado.

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Já no de Silviano Santiago, sobre Mil Rosas Roubadas (Rocco), Prêmio Ocenaos, lemos um relato delicado sobre a história do autor com o personagem de seu livro, o amigo de uma vida inteira morto – para o autor, o combinado era o inverso: Zeca seria o seu biógrafo. “Ao matar a pessoa que amamos antes de nos matar, a vida é uma assassina impiedosa e cruel. Será que age de modo sorrateiro e inconsciente? Ela não nos rouba apenas o ente querido. Não é apenas a solidão o sentimento dominante na vida de quem sobrevive. Mil Rosas Roubadas é um romance sobre o assassinato da pessoa amada”, escreve Santiago.

Leia também: Em ‘Mil Rosas Roubadas’, o crítico e romancista Silviano Santiago relembra Ezequiel Neves

Além deles, contam suas histórias Ronaldo Correia de Brito, Estevão Azevedo, Paula Fábrio, Marcelino Freire, José Luiz Passos, Angélica Freitas, Julián Fuks, Antonio Xerxenesky, Sidney Rocha, Andrea Del Fuego e outros.

Um debate com a participação de Sidney Rocha (Fernanflor), Julián Fuks (Resistência) e Micheliny Verunschk (Nossa Teresa) a partir das 19h30, na Blooks Livraria Blooks (Shopping Frei Caneca – Rua Frei Caneca, 569, 3º piso), marca o lançamento da obra em São Paulo nesta segunda-feira.

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