Editoras querem recuperação judicial da Saraiva e garantias de pagamento da Cultura
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Editoras querem recuperação judicial da Saraiva e garantias de pagamento da Cultura

Juntas, Cultura e Saraiva devem R$ 325 milhões para as editoras, diz Snel - a primeira quer abastecer suas lojas para o Natal comprando a prazo; a segunda oferece pagamento à vista, mas não resolve sua dívida

Maria Fernanda Rodrigues

22 Novembro 2018 | 20h38

Sem dinheiro e sem credibilidade, a Livraria Cultura não consegue convencer as editoras a embarcar em seu plano de curto prazo contra a crise: abastecer as lojas com livros para o Natal e a volta às aulas comprando a prazo. Antes, sua proposta era consignar uma parte e pagar o restante em cinco vezes. Agora, ela propõe pagar 10% à vista e o restante em meados de dezembro. Com medo de novos calotes, as editoras pedem mais garantias à rede da família de Pedro Herz, que trabalha, agora, num documento que possa trazer um pouco mais de tranquilidade à essa negociação.

Livraria Cultura precisa de livros para abastecer as lojas para o Natal (Foto: Amanda Perobelli/Estadão)

O assunto foi debatido nesta quinta-feira, 22, em Assembleia Geral Extraordinária no Sindicato Nacional de Editores de Livros (Snel). Não houve consenso com relação à postura diante dos apelos da Cultura, também presente – alguns não querem se arriscar a perder ainda mais dinheiro, caso ela não consiga pagar em dezembro; outros lamentam por seus livros não estarem à venda numa das mais tradicionais redes de livrarias do País. Na Cultura – e também na maior rede, a Saraiva, que apresentou na reunião uma proposta mais razoável e já aceita pelos presentes. Nos próximos seis meses, ela paga seus pedidos à vista. Comenta-se que ela teria oferecido um bônus de 10% para compensar seus atrasos atuais.

Em nota, o Snel diz que o pagamento antecipado é uma das condições para a manutenção do fornecimento. As outras são “conciliação dos estoques em consignação e acertos quinzenais; plano de recuperação que preveja mudanças na gestão das empresas e um assento do Snel no comitê de credores”. A nota reforça ainda a decisão da maioria de apoiar as empresas, apesar da grave situação – e alerta que o não apoio pode significar o fim das duas redes. O Snel tem liderado essas conversas entre livrarias e editoras, mas a decisão sobre como conduzir as negociações cabe a cada um.

A dívida segue em aberto – juntas, Saraiva e Cultura devem R$ 325 milhões para as editoras. A primeira deve apresentar seu plano de recuperação judicial no início de dezembro, e pode haver outra luta para se conseguir consenso entre os credores. Com a Saraiva, o Snel diz que só negocia no dia em que ela protocolar seu pedido de recuperação judicial – ela tentou uma extrajudicial, depois de fechar 20 lojas, mas o sindicato rejeitou. As duas pedem deságio de 40% e até 12 anos para pagar, proposta chamada de “absurda” e “indecente” por alguns editores.

Por falar em editores, eles se movimentam na tentativa de criar uma livraria a ser administrada como uma cooperativa. O sonho seria assumir a loja da Cultura do Conjunto Nacional.