Depois da Livraria Cultura, Saraiva pede recuperação judicial
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Depois da Livraria Cultura, Saraiva pede recuperação judicial

Juntas, elas devem R$ 325 milhões só para as editoras; dívida total da Saraiva é de'aproximadamente' R$ 675 milhões; leia o comunicado da empresa

Maria Fernanda Rodrigues

23 Novembro 2018 | 09h28

A notícia era esperada pelo mercado editorial, ainda mais porque nas últimas semanas nem os acertos que vinham sendo cumpridos foram honrados. E também por causa dos últimos números divulgados: em seu balaço trimestral, ela cita queda de receita e prejuízo líquido de R$ 66,6 milhões no período. Nesta sexta-feira, 23, anunciando uma dívida de R$ 675 milhões, a Livraria Saraiva entrou com pedido de recuperação judicial.

saraiva recuperação judicial

Saraiva pede recuperação judicial (Amanda Perobelli/Estadão)

Após Assembleia Extraordinária realizada ontem, no Rio de Janeiro, Marcos da Veiga Pereira, presidente do Sindicato Nacional de Editores de Livros, disse que o Snel só voltaria a negociar com a rede no dia que ela protocolasse o pedido de recuperação judicial, um instrumento, na opinião dele, que dá garantia aos credores e à empresa.

Na reunião de ontem, ainda com algum dinheiro em caixa, a rede se propôs a pagar à vista os livros que vai comprar para abastecer as lojas neste fim de ano, e pagar um bônus adicional de 10% como forma de minimizar os dados que vem causando, ou apenas para melhorar os ânimos. Nos bastidores, comentava-se que os pagamentos atrasados seriam empurrados para serem negociados depois da recuperação judicial. Também nos bastidores, os editores se dizem mais confiantes numa recuperação da Saraiva do que da Cultura.

Na tentativa de fazer uma recuperação extrajudicial, Saraiva pediu deságio de 40% e 12 anos para pagar, mesma condição pedida pela Cultura. Não funcionou para uma e nem para a outra.

No final de outubro, quando a Livraria Cultura entrou com seu pedido de recuperação judicial, a Saraiva fechou 20 lojas. A rede da família Herz tem até o início de dezembro para apresentar seu plano aprovado pelos credores. Se não conseguir, ela deve pedir falência. A Saraiva ganha algumas semanas para negociar com seus fornecedores. Se elas conseguirem, ganham seis meses sem pagamentos – pagam só o que comprarem no momento – para se organizarem.

Juntas, Saraiva e Cultura devem para as editoras R$ 325 milhões, segundo o Snel. Elas respondem por 40% do faturamento das principais editoras do País.

Leia o comunicado da Saraiva sobre a recuperação judicial

A Saraiva comunica que entrou com pedido de recuperação judicial na 2ª Vara de Falências e Recuperações Judiciais do Foro Central da Comarca de São Paulo a fim de organizar suas dívidas. Optamos por esse movimento devido à necessidade da Companhia em buscar proteção para a repactuação de seu passivo junto aos seus fornecedores e garantir a perenidade da operação.

A Saraiva tem tomado diversas medidas para readequar seu negócio a uma nova realidade de mercado, com quedas constantes no preço do livro e aumento da inflação.

No início deste ano, a Saraiva propôs aos fornecedores a negociação de seu passivo, a qual não obteve sucesso. Em decorrência do agravamento de sua situação, a Companhia julgou que a apresentação do pedido de recuperação judicial seria a medida mais adequada nesse momento, no contexto da crise no mercado editorial, reflexo do atual cenário econômico do país. O objetivo é proteger o caixa, fazendo com que a empresa retome sua estabilidade e, posteriormente, seu crescimento econômico, bem como garantir a preservação da continuidade de sua operação nas lojas físicas e e-commerce.

O total de débitos informado no pedido de recuperação judicial soma, aproximadamente, R$ 675 milhões. O plano de recuperação será apresentado aos credores em breve, no momento oportuno.

A recuperação judicial não altera, de forma alguma, o funcionamento da operação da Saraiva, que segue com 85 lojas físicas em todo o Brasil e e-commerce, um dos maiores canais de comércio online do País.

A Saraiva é uma companhia com 104 anos de história e uma das maiores redes varejistas de educação, cultura e entretenimento do País, presente em 17 estados brasileiros e no Distrito Federal, além da relevante operação de e-commerce que cobre todo o território nacional. A Companhia participa ativamente da vida de crianças, jovens a adultos e seguirá acreditando na transformação das pessoas por meio do acesso à cultura e educação e na leitura como um dos pilares essenciais para o desenvolvimento do Brasil.