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CBL vai à Biblioteca Nacional

Maria Fernanda Rodrigues

06 de maio de 2013 | 20h14

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O assunto Brasil em Frankfurt pautou a primeira visita de cortesia feita por Karine Pansa, presidente da Câmara Brasileira do Livro, ao novo presidente da Fundação Biblioteca Nacional, Renato Lessa, no final da tarde desta segunda.

“Fomos nos apresentar, mostrar o trabalho da CBL e o que temos feito na área de internacionalização da literatura brasileira e em outras áreas. Foi melhor do que esperávamos e vimos que esta é uma gestão diferente, preocupada, por exemplo, com o que vai ser a participação em feiras internacionais”, comentou Karine.

O primeiro indício de que um novo tempo começa na Biblioteca Nacional foi o cancelamento recente da ida do País à Nova York para a BEA – Book Expo America, no fim do mês.

Vale lembrar que Fundação Biblioteca Nacional e CBL trabalhavam juntas na organização da ida do Brasil a essas feiras. Em alguns casos, compravam espaços vizinhos e montavam estandes lado a lado para chamar mais atenção dos visitantes. Em outros, a CBL acabava prestando serviço para a FBN. Foi o que aconteceu com a Feira de Bogotá, que homenageou o Brasil em 2012. A CBL venceu edital no valor de R$ 1 milhão para cuidar do pavilhão brasileiro.

Em sua primeira entrevista ao Estado, publicada sábado no Caderno 2, Renato Lessa disse que participar de feiras como a de Frankfurt pode trazer algum impacto para o País, mas ele não saberia antecipar quais seriam as consequências disso. Ele garantiu que a futura política da Biblioteca Nacional com relação a essas feiras deve ser reconfigurada. “Para mim, os editores têm que ter uma participação maior nos custos da internacionalização de seus autores. É nosso interesse ver os escritores brasileiros lá fora, mas também é interesse das editoras”, disse.

Karine Pansa diz que a CBL não perde um parceiro e que o papel desempenhado antes pela Fundação Biblioteca Nacional, que há um ano vinha centralizando toda a política do livro, passa para a Diretoria do Livro, Leitura e Literatura, que deve ser desmembrada da FBN em breve e se mudar para Brasília.

Voltando à Feira de Frankfurt. Lessa disse que aceitar a homenagem da Feira de Frankfurt e investir tudo o que será investido nessa ida à Alemanha é uma decisão de Governo e a responsabilidade está dividida entre Minc (FBN e Funarte) e Itamaray. “O custo divulgado pelo Minc é de R$ 18 milhões, dos quais R$ 15 milhões provém de recursos públicos. Não houve comprometimento do orçamento da Biblioteca Nacional neste custo. Os repasses são todos pelo Fundo Nacional de Cultura. Há também a possibilidade de uso da Lei Rouanet por parte da Câmara Brasileira do Livro, que teve autorização de captação de R$ 13 milhões, mas isso não foi feito”, disse, na entrevista. “Existe uma empresa trabalhando nisso, mas faz pouco tempo e nada foi captado ainda”, disse Karine. E por que? “Boa pergunta”, ela concorda. “Qualquer trabalho de captação é difícil”, conclui.

Se a CBL conseguir algo, o valor será abatido desses R$ 18 milhões, explica Lessa. “Estou torcendo para que isso aconteça; é muito dinheiro. A Feira de Frankfurt é importantíssima, mas é uma feira de negócios.”

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