Babel: Livros de Dora Barrancos, Patricia Hill Collins e Maria Lacerda de Moura refletem sobre o feminismo
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Babel: Livros de Dora Barrancos, Patricia Hill Collins e Maria Lacerda de Moura refletem sobre o feminismo

E ainda na coluna Babel: 'Feminismo no Brasil', ensaio de Heloisa Buarque de Hollanda, Morgana Kretzmann em nova editora, 'As Mulheres no Dia D', Zazie, Flipoços

Maria Fernanda Rodrigues

05 de março de 2022 | 03h00

Patricia Hill Collins terá mais um livro publicado pelo Boitempo (Foto: Kim Doria/Boitempo)

Feminismos na América Latina

A historiadora e socióloga argentina Dora Barrancos terá seu livro Feminismos na América Latina publicado em 2022 pela Bazar do Tempo. Assinantes do Clube F. recebem antes esta obra que resgata as principais lutas e reivindicações do movimento em países como Argentina, Brasil, México, Chile, Paraguai, Venezuela, Cuba, entre outros, e aborda seus reflexos hoje, com jovens feministas indo às ruas por direitos como o aborto e contra a violência e o feminicídio.
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A autora tem uma longa relação com o Brasil: ela se exilou em Belo Horizonte durante a ditadura argentina e fez doutorado em História na Unicamp.
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No dia 29, Dora Barranco participa de um debate online com a antropóloga argentina Rita Segato, autora de obras como As Estruturas Elementares da Violência, A Nação e Seus Outros, A Guerra Contra as Mulheres e Crítica da Colonialidade em Oito Ensaios – E Uma Antropologia Por Demanda.

A pesquisadora argentina Dora Barrancos (Foto: Bazar do Tempo)

Outros feminismos

A Bazar do Tempo também está publicando Feminismo no Brasil – Memórias de Quem Fez Acontecer, em que Branca Moreira Alves e Jacqueline Pitanguy recuperam a história dos movimentos e articulações feministas no país a partir das memórias das mulheres que estavam à frente dessas lutas, entre os anos 1960 e 1990. Lança ainda Feminista, Eu? Cinema Novo, MPB, Literatura, um ensaio inédito em que Heloisa Buarque de Hollanda analisa o papel das mulheres em campos-chave da cultura brasileira entre os anos 1950 e 1970.

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Já a Boitempo publica, também em março, Bem Mais Que Ideias: A Interseccionalidade Como Teoria Social Crítica, da socióloga Patricia Hill Collins. No livro, a autora de Pensamento Feminista Negro argumenta que é necessário refletir criticamente sobre as suposições, epistemologias e métodos da interseccionalidade para a sua plena realização. Em diálogo com várias tradições teóricas – da Escola de Frankfurt ao pensamento feminista negro -, ela apresenta o potencial da interseccionalidade para remodelar o mundo.
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Está saindo pela Chão Editora Amai e… Não Vos Multipliqueis, obra de Maria Lacerda de Moura publicada originalmente em 1932 com artigos que esta pioneira do feminismo anarquista escrevia para o jornal O Combate. Os textos têm como interlocutores contemporâneos da autora no cenário político da época, à esquerda e à direita, em um Brasil e um mundo tão ou mais polarizados que os de hoje, quando comunistas e integralistas se enfrentavam fisicamente nas praças do País e o fascismo avançava na Europa.

Livro de 1932 de Maria Lacerda de Moura ganha nova edição (Foto: Arquivo Nacional/Fundo Correio de Manhã/Chão Editora)

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Lançado em fevereiro pela Companhia das Letras, Feminismos, da historiadora britância Lucy Delap, conta a história do feminismo não a partir de ondas, o que, ela acredita, poderia acabar privilegiando grupos específicos de feministas, mas a partir de eixos temáticos abarcando diferentes pontos de vista e países.

Morgana Kretzmann na Companhia das Letras

Morgana Kretzmann vai publicar seus dois próximos livros, Água Turvo e Safra de Sangue, pela Companhia das Letras. Conforme a coluna adiantou, os romances, ainda em andamento, são situados no interior profundo do Brasil e são protagonizados por mulheres que têm suas vidas marcadas por tragédias pessoais e pelos pactos de silêncio impostos nessas pequenas localidades. O primeiro romance de Morgana, Ao Pó, foi publicado pela Patuá e ganhou o Prêmio São Paulo de Literatura em 2021 na categoria melhor romance de autor estreante.

As mulheres e a guerra

Uma das apostas da Sextante para abril é o livro As Mulheres no Dia D, da jornalista americana Sarah Rose. É a história de mulheres recrutadas pela agência de espionagem de elite da Grã-Bretanha para ajudar a pavimentar o caminho para a vitória dos Aliados na Segunda Guerra Mundial. A autora mergulha em arquivos, diários e entrevistas para retratar a trajetória das 39 mulheres que, em 1942, deixaram para trás suas vidas e famílias para destruir linhas de trem, fazer emboscadas para nazistas, planejar fugas de prisões e coletar informações que ajudariam no Dia D.

Zazie nas livrarias

A Zazie Edições lança o segundo livro impresso de seu catálogo – e o primeiro título da coleção Pequena Biblioteca de Ensaios neste formato: Da Beleza do Gesto Técnico na Pré-história, da arqueóloga francesa Sophie A. de Beaune. Este é também o primeiro livro de Sophie, uma das mais importantes arqueólogas em atividade hoje na Europa e que vem levantando questões sobre utensílios pré-históricos que abrem a arqueologia em direção a outros campos de conhecimento, a ser publicado no Brasil. A obra, que está em pré-venda, abarca questões importantes para a filosofia da arte e para a compreensão da irrupção da sensibilidade estética.
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A venda dos livros impressos vai ajudar a Zazie a financiar os PDF’s open access da editora. O primeiro lançamento, em dezembro, foi Brotou Capivaras, livro de poemas de Chacal com desenhos de Laura Erber, idealizadora da Zazie.

Flipoços discute influência da música na literatura e da literatura na música

O Flipoços volta a encontrar presencialmente seu público entre os dias 3 e 11 de setembro, em Poços de Caldas. Com o tema Letras e Música, a Sinfonia da Literatura, esta 17ª edição do festival pretende colocar em destaque as narrativas transformadas em letras de música e a influência dos grandes autores nas músicas, nas melodias e nas canções eternizadas pelos artistas e autores.
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Antes disso, de 27 de abril a 1º de maio, será realizado mais um Flipoços Virtual – a programação ainda não foi fechada.

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