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Autores contemporâneos na mira só das universidades estrangeiras

Maria Fernanda Rodrigues

03 de julho de 2013 | 20h00

Os dez escritores brasileiros mais estudados por professores doutores de literatura brasileira com atuação no Brasil são: Machado de Assis, Guimarães Rosa, Clarice Lispector, Graciliano Ramos, Mário de Andrade, Carlos Drummond de Andrade, Lima Barreto, João Cabral de Melo Neto, Murilo Mendes e José de Alencar. Todos mortos. Os dez escritores mais estudados por professores de literatura brasileira em universidades no exterior: Machado de Assis, Clarice Lispector, Guimarães Rosa, Jorge Amado, Carlos Drummond de Andrade, Graciliano Ramos, Mário de Andrade, Chico Buarque, Milton Hatoum e Oswald de Andrade. Dois vivos.

“No exterior, os pesquisadores privilegiam e incorporam em seus estudos a literatura brasileira contemporânea de forma muito mais expressiva do que no Brasil”, comentou o professor da Uerj e colaborador do Caderno 2 João Cezar de Castro Rocha, na tarde de ontem, durante o encontro Movimentos Atuais da Literatura Brasileira, organizado pelo Itaú Cultural na Flip. Um dos fatores para a preferência pelo cânone seria a facilidade de se conseguir bolsas de pesquisa por se tratar de autores já conhecidos.

Castro Rocha chamou a atenção também para um novo perfil de brasilianista que está sendo formado. Se antes eles eram estrangeiros especializados em assuntos brasileiros, hoje eles são, na maioria, pesquisadores nascidos no Brasil, que fizeram a graduação aqui, mas que foram se especializar em universidades de fora do País e por lá ficaram para ensinar literatura brasileira. Segundo seu levantamento, feito com 244 pessoas, 65 nasceram aqui e 43 nos Estados Unidos. Depois aparecerem nacionalidades diversas, como alemães, argentinos, mexicanos, etc. A base de sua pesquisa, que mostra ainda que esses estudiosos têm entre 30 e 45 anos e que além de estudar e ensinar eles são tradutores, foi o mapeamento realizado pelo projeto Conexões Itaú Cultural. Outro dado interessante: pesquisa-se mais literatura brasileira nos Estados Unidos (93 pessoas), França (17), México (15), Itália (14), Alemanha (14) Inglaterra (13), Brasil (13), Espanha (12), Argentina (11) e Portugal (10).

O trabalho de Castro Rocha não foi o único apresentado ontem no painel que contou ainda com a presença de Renato Lessa, presidente da Fundação Biblioteca Nacional, e de José Castilho Marques Neto, secretário executivo do Plano Nacional do Livro e Leitura. Os dados relativos à preferência dos pesquisadores brasileiros são do trabalho de Laeticia Jensen Eble, da Universidade de Brasília. Ela mostrou ainda que há 2.176 doutores que declararam trabalhar com literatura brasileira aqui e 477 autores são objeto de estudo. Já Felipe Lindoso, consultor do Conexões Itaú Cultural, apresentou um panorama das feiras literárias organizadas pelo País. Professor da Universidade Federal do Espírito Santo, Fábio Malini abordou a presença da literatura nas redes sociais – Leminski, Clarice, Machado e Caio Fernando Abreu foram o foco de seu trabalho. O escritor Luiz Ruffato falou sobre a profissionalização do trabalho de escritor.

 

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