Apesar das críticas, Prêmio Jabuti não vai alterar o polêmico regulamento de 2018
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Apesar das críticas, Prêmio Jabuti não vai alterar o polêmico regulamento de 2018

Câmara Brasileira do Livro diz que mudanças são 'tecnicamente inviáveis', mas não descarta rever novamente o regulamento em 2019

Maria Fernanda Rodrigues

18 Junho 2018 | 18h33

Desde 2012, ano em que o famoso Jurado C decidiu sozinho qual seria o romance vencedor do Prêmio Jabuti, a tradicional premiação não se via em meio a polêmicas como agora – era para ser ano de festa, mas a 60.ª edição do Jabuti fez uma grande mudança em seu regulamento e desagradou muita gente.

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(Foto: CBL)

Mais completo prêmio do mercado editorial brasileiro, que premiava da capa ao texto das mais diversas áreas, ele diminuiu de 29 para 18 o número de categorias este ano – e a junção de duas tradicionais, Infantil e Juvenil, gerou debates acalorados na internet, levou autores e ilustradores a dizer que estavam desistindo de participar este ano e acabou em discussões pessoais, trocas de ofensas e comentários homofóbicos.

Professor e ex-diretor da Biblioteca Mário de Andrade, Luiz Armando Bagolin renunciou ao cargo de curador, que ele ocupava pelo segundo ano, na sexta-feira, 15. Nesta segunda, 18, a Câmara Brasileira do Livro anunciou que para este não não vai considerar as sugestões que vieram após a mudança do regulamento – a maior desde 2013, quando as regras na votação passaram a impedir que um jurado fosse responsável pelo resultado total.

+++ Prêmio Jabuti não terá curador, depois de demissão de Luiz Armando Bagolin

O comunicado assinado por Luiz Antonio Torelli, presidente da CBL,  diz: “Após cuidadosa análise junto aos conselheiros, auditores externos contratados e ao departamento jurídico da CBL, avaliamos a possibilidade de implementar as modificações sugeridas ainda este ano, o que se mostrou tecnicamente inviável”.

Diz ainda que o atual formato é resultado de trabalho iniciado há mais de um ano. Quanto ao “tecnicamente inviável”, explica: “Para que o processo possa se realizar com segurança e transparência inerente à premiação, foi construída uma plataforma digital – já homologada pela auditoria independente – onde se dão os processos de inscrição, leitura dos inscritos, votação e apuração. Diante do exposto, o Prêmio Jabuti 2018 seguirá conforme foi idealizado, preservando a integridade do sistema operacional e, principalmente, em respeito às obras já inscritas mediante o aceite dos participantes ao regulamento anunciado em 15 de maio de 2018”.

A Câmara Brasileira do Livro não descarta, porém, reavaliar tudo, de novo, em 2019. “Assim como nesta edição, a futura curadoria terá liberdade para ouvir o mercado e, junto com o Conselho Curador, propor os aprimoramentos ao Prêmio”, assegura Torelli no comunicado.

O conselho curador deste ano é formado por Tarcila Lucena, Mariana Mendes, Pedro Almeida e Jair Marcatti. Antes de Bagolin, foram curadores do Jabuti Marisa Lajolo, de 2014 a 2016, e José Luiz Goldfarb, de 1991 a 2013, entre outros.

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