Royal Shakespeare Company decide rejeitar patrocínio da British Petroleum

João Wady Cury

03 de outubro de 2019 | 10h06

A edição de hoje da coluna ArCênico que está nas bancas dá conta da pressão que uma das principais entidades de cultura do Reino Unido — a Royal Shakespeare Company (RSC) — vem sofrendo do público para que revisse o patrocínio da gigante petrolífera British Petroleum (BP) à entidade. As queixas se tornaram mais claras este ano, em uma pesquisa com 6 mil usuários das instalações da RSC, principalmente aqueles atendidos pela parceria, jovens de 16 a 25 anos. Não aceitam que uma empresa algoz do sistema climático mundial financie seus ingressos.

O resultado veio à galope ontem, decisão tomada. Depois de seis anos de investimentos na RSC e principalmente na formação do público, a BP foi avisada que seu contrato será rescindido a partir de dezembro deste ano. Venceram as crescentes pressões do público jovem junto aos gestores da Royal, pois não aceitam uma petrolífera no meio do caminho entre uma das principais entidades da cultura shakespeareane do Reino Unido e o público. Ou seja, não aceitam a troca de ingressos a baixo custo enquanto a BP castiga o clima.

“Em meio à emergência climática, que reconhecemos, os jovens agora nos dizem claramente que o patrocínio da BP está colocando uma barreira entre eles e seu desejo de se envolver com o RSC. Não podemos ignorar essa mensagem”, dizem, em carta aberta, os dois principais gestores da Royal Shakespeare Company, Gregory Doran, diretor artístico, e Catherine Mallyon, diretora executiva.

Em resposta, a BP lamentou o encerramento da parceria, argumentando que possibilitou entradas a baixo custo (5 pounds, cerca de 28 reais) a mais de 80 mil jovens de 16 a 25 anos no período de seis anos da parceria. Leia um trecho do comunicado

“Ficamos consternados porque compartilhamos muitas das preocupações que aparentemente contribuíram para a decisão. Reconhecemos que o mundo está em um caminho insustentável e precisa fazer uma transição rápida para zero nas próximas décadas. O debate gira em torno de como entregar isso, atendendo às crescentes demandas de energia do mundo. A BP está focada nesse duplo desafio; estamos em ação, temos planos ambiciosos para o futuro e agradecemos o envolvimento sobre como tornar a energia que produzimos mais limpa e melhor.”.

Claro, são só palavras. Mas indefensáveis e incompatíveis com o mundo de hoje.

A RSC avançou e sua cobrança está justamente na ausência de ações da BP.

O público quer mais. Quer empresas responsáveis.

Não é só a grana, estúpido. Estamos falando do futuro.

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