O Direito atropelado pela vida no teatro

O Direito atropelado pela vida no teatro

João Wady Cury

30 Março 2017 | 14h16

notinha

 

A nota acima foi publicada na edição do Estado do dia 11 de outubro de 1958, um sábado, e é um flagrante: a semana em que José Celso Martinez Correa funda o grupo Oficina de teatro amador aos 22 anos, ainda na Faculdade de Direito do Largo São Francisco. O objetivo do novo grupo era encenar “peças de autores inéditos brasileiros, obras de vanguarda e poemas vocalizados”. Duas semanas depois, o próprio Estado anuncia as duas primeiras montagens do grupo, direção de Amir Haddad e José Celso Martinez Correa: A Ponte, de Carlos Queiroz Telles, e Vento Forte Para Um Papagaio Subir, de José Celso. O Oficina, com 59 anos de vida, é possivelmente o grupo mais longevo em atividade do teatro brasileiro e ainda tem um de seus fundadores à frente do grupo. Não é pouco. Mas, como bom artista que é, José Celso não para de sonhar.

 

Quer levar Bacantes para Brasília e encená-la na Praça dos Três Poderes. Hoje, o diretor divide seus dias entre o teatro e sua casa, onde mora com seis integrantes do Oficina em dois apartamentos interligados – “e uma mulher macumbeira inteligentérrima, que cozinha nos dias de semana, e um cachorro”. Diz que, no início do grupo, limitava-se a dirigir, mas houve um fato que mudou tudo: “Foi num dia de Finados em que morreu a Beata, uma negra que eu amava, eu virei do avesso de dor. O Coro de Roda Viva em Galileu Galilei, que estava proibido de sequer olhar para o público, tomou a plateia como tínhamos ensaiado. A lindíssima atriz Silvinha Werneck me acenou e eu caí de boca na cena e nunca saí mais”.